'Temos agora um colecionador de derrotas no governo'

Oposição perde disputa na Câmara, mas ataca Haddad; PT critica ricos e diz que 'de algum lugar' os recursos precisam sair

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

19 Dezembro 2013 | 02h03

As incertezas na arrecadação e no envio dos boletos do IPTU foram as "bandeiras" da oposição na tentativa de obstruir a segunda votação do Orçamento ontem. "O prefeito Haddad foi à Itália enquanto a sociedade aqui em São Paulo refutava o aumento do IPTU. Temos agora um colecionador de derrotas (judiciais) no governo", disparou Police Neto (PSD).

"A questão dos boletos é uma questão que a Prefeitura precisa resolver e precisa responder. Acho que se acontecer isso (a suspensão do aumento for mantida pelo STF), poderá ter os dois boletos", afirmou o vereador Paulo Fiorilo (PT), antes que a Prefeitura se pronunciasse oficialmente sobre o assunto. O governo poderá ter de cortar recursos de áreas essenciais como Educação (R$ 249 milhões) e Transportes (R$ 160 milhões), caso o aumento não seja aplicado em 2014. "Podemos ter os dois boletos, e o do reajuste só será pago após o governo derrubar a decisão (do TJ-SP). Se não derrubar, não paga", acrescentou o relator do Orçamento, Arselino Tatto (PT).

"Não temos esse dinheiro (R$ 806 milhões) neste momento. E de onde tiramos agora o dinheiro? Da Saúde e da Educação. O governo não disse que, se o imposto não passasse, haveria redução de verbas na Saúde e da Educação para bancar o preço da tarifa a R$ 3", acrescentou Police Neto, lembrando uma das justificativas de Haddad para a proposta.

"De algum lugar esses recursos precisam sair", argumentou Tatto (PT). "As pessoas que estão tentando legislar no lugar da Casa, os ricos, vão ter de explicar à população os motivos de terem cortados recursos para a Educação."

A oposição à gestão Haddad defendia que o governo desistisse do aumento e aprovasse um novo projeto com previsão apenas da reposição inflacionária de 6% (conforme estimativa do IPCA, que mede a inflação oficial do País). Mas os pedidos foram em vão.

Até 2014. No fim, Tatto conseguiu o apoio de 38 dos 55 vereadores para aprovar o orçamento. Houve ainda a aprovação de alguns projetos de parlamentares, como o que proíbe fumar no Pacaembu, antes de se encerrar o ano na Câmara.

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