Tem um guindaste no caminho dos helicópteros

Aeronáutica emite alerta para pilotos sobre equipamento de 114 metros na obra do estádio, que também está na rota do Aeroporto de Cumbica

NATALY COSTA, O Estado de S.Paulo

11 Outubro 2012 | 03h11

Um megaguindaste usado nas obras do estádio do Itaquerão, na zona leste de São Paulo, está dando dor de cabeça para os pilotos de helicóptero e para o Serviço Regional de Proteção ao Voo de São Paulo (SRVP-SP).

O equipamento tem 114 metros de altura, o equivalente a um prédio de 40 andares, e está montado em um local com cota de terreno de 790 metros - ou seja, um total de 904 metros, segundo a Odebrecht, empreiteira responsável pelas obras do estádio.

A Associação Brasileira de Pilotos de Helicóptero (Abraphe), porém, afirma que o guindaste está quase 100 metros acima da altura informada e fica no meio do caminho de helicópteros que sobrevoam a região.

Por causa disso, o grupo de comandantes da associação foi alertado para ter "atenção redobrada" na área.

"Tivemos um helicóptero que sobrevoou a região, passou bem próximo do guindaste e viu que está mais alto do que o informado às autoridades aeronáuticas", disse o comandante Rodrigo Duarte, presidente da Abraphe.

"Durante o dia, com tempo bom, tudo bem, você vê e desvia. O problema é à noite, com tempo ruim e restrição de visibilidade. E não é ruim só para helicóptero."

Cumbica. O megaguindaste também está na rota do Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, segundo o Serviço Regional de Proteção ao Voo de São Paulo. Por isso, e também para orientar os helicópteros, a Aeronáutica expediu um Notam - espécie de alerta sobre determinada região do espaço aéreo - para informar oficialmente os pilotos da presença do obstáculo na área.

"O guindaste em apreço viola superfície horizontal do Aeroporto de Guarulhos. Para o caso, requer-se unicamente a publicação do obstáculo, a fim de que as empresas aéreas tomem conhecimento e estabeleçam seus procedimentos de contingências. Até agora nenhuma operadora ofereceu qualquer reclamação."

A Odebrecht afirma que o guindaste "segue instalado no canteiro até o término do assentamento de todos os módulos que vão constituir a cobertura" do estádio. Não tem data certa, portanto, para ser desarmado.

"O equipamento é importante por oferecer a instalação com precisão e segurança das estruturas metálicas da cobertura das arquibancadas, um imponente teto de aço e vidro cuja altura máxima chegará a quase 60 metros em relação ao gramado na obra."

A previsão é de que o futuro estádio do Corinthians fique pronto em dezembro do ano que vem, a tempo da Copa.

Como a própria Aeronáutica recomenda que os helicópteros mantenham uma distância de mais de 150 metros de qualquer obstáculo quando sobrevoam "cidades, povoados e lugares habitados", depois da denúncia da associação, o órgão vai averiguar qual a real altitude do guindaste.

A autorização solicitada pela Odebrecht foi para erguer um equipamento que, no total, chegaria a 910 metros. Mas "a associação está afirmando que este guindaste teria 975 metros no topo. Será verificada a necessidade de sinalização do equipamento", disse a Aeronáutica.

A Abraphe quer ainda que o Notam seja estendido para todo o espaço aéreo de São Paulo, não apenas para quem tem como origem ou destino o Aeroporto de Guarulhos. "Ali é ponto de chegada para o Campo de Marte e rota para quem vem do interior. O alerta precisa ser abrangente", afirmou Rodrigo Duarte.

Outros casos. O presidente da Abraphe garantiu ainda que há outros casos de obras em São Paulo cujos guindastes são obstáculos no espaço aéreo. A região do Itaim-Bibi, zona sul, é uma das que mais têm megaguindastes, alguns sobre prédios.

"Na cidade, há vários equipamentos em cima de prédios que, erguidos, interferem nos voos", disse. "Tem uma obra na Avenida Juscelino Kubitschek, no Itaim-Bibi, por exemplo, em que o guindaste está bem iluminado, tem Notam expedido, tudo certo. Mas em outras eles simplesmente ficam apagados, não dá para ver nada à noite. E justamente em uma região que tem grande tráfego de helicópteros como a zona sul de São Paulo."

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