Tiago Queiroz/AE
Tiago Queiroz/AE

Tem jeito e prancha de surfe, mas é skate

Pranchão vem ainda com remo, que ajuda no equilíbrio em manobras nas ruas da cidade

Valéria França, O Estado de S.Paulo

09 Setembro 2012 | 03h07

Um novo esporte começa a chamar a atenção nas ruas e nos parques de São Paulo. É o paddle skate, também chamado de stand up skate. Os praticantes usam um remo, que na extremidade inferior tem duas rodas. O acessório dá mais impulso para o brinquedinho ganhar velocidade em terrenos planos. E nas ladeiras ajuda no equilíbrio para manobras mais radicais.

Mas o que muda mesmo é a base do skate, que chega a 1,80 metro de comprimento, 60 cm a mais do que um skate comum. Feita de madeira naval para não envergar, sua base (ou shape) pesa, em média, 9,5 quilos.

Parece impossível andar em um trambolhão desses. "Mas é muito mais fácil", garante Jorge Malvadão, vendedor de uma gráfica, adepto do paddle skate. "A regra é a mesma do surfe: quanto maior a prancha, mais fácil de se equilibrar."

Os equipamentos nacionais têm uma vantagem sobre os importados. "Desenvolvemos uma mola, entre o eixo e as rodas, que permite manobras mais radicais", diz Ricardo Ducco, de 36 anos, um dos sócios da fabricante DropBoard. No Brasil, o equipamento para paddle skate ganhou o nome de hangboard, e na Califórnia, de hamboard. "O equipamento permite exatamente as mesmas manobras do surfe", afirma Ducco.

Fish. As semelhanças não param por aí. Os dois modelos para a prática de paddle skate têm o formato de pranchas de surfe - a long board e a fish (peixe). "Quando coloco o skate embaixo do braço, ele fica igual a uma prancha. Só que tem rodas", diz Rodrigo Andrade, de 31 anos, dono de uma fish. "A minha prancha é 20 cm menor do que a longboard. Acho mais radical, mais ligeira para descer ziguezagueando."

Empresário da área de segurança, Andrade mora no Tatuapé, zona leste. Adora surfar, mas nem sempre pode descer a serra para Camburi, no litoral norte, onde costuma surfar.

"Por isso gosto tanto do paddle. Durante a semana, dou um rolê e treino todas as manobras que costumo fazer com minha prancha na água."

Recentemente, Andrade começou a ensinar a modalidade na Igreja Evangélica Bola de Neve, na Pompeia, zona oeste. "A criançada adora. Meu filho mais velho, de 8 anos, já está fera no esporte."

Novidades. O Parque Villa-Lobos, também na zona oeste, um dos preferidos da galera de todas as variações do skate, tem praticantes de kite skate, em que a prancha é impulsionada por uma pipa. Outra moda do momento é o trikke, que se assemelha a um patinete com três rodas.

"O paddle skate está começando", diz Malvadão, que se apresenta nos intervalos de grandes torneios. "Sempre que subo no skate me sinto surfando a 15 centímetros dos corais. Só que aqui o tombo não é como na água."

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