'Telefonemas duram o quanto for necessário'

VivaVoz cabe a estudantes de cursos na área de saúde e assistência social. 'Ideia é ajudar a pessoa que está do outro lado da linha', diz a professora Helena Barros

Lígia Formenti / Brasília, O Estado de S.Paulo

19 Maio 2013 | 02h08

A professora Helena Barros afirma não haver informações se as pessoas atendidas pelo serviço procuram, simultaneamente, um tratamento presencial. O VivaVoz cabe a estudantes de cursos na área de saúde e assistência social. "A ideia é ajudar a pessoa que está do outro lado da linha a escolher uma data para parar ou reduzir o uso da droga", conta Helena.

O ritmo de ligações no serviço de viva-voz aumenta quando a noite avança. Nesse horário, a maior parte dos telefonemas é de dependentes pedindo ajuda para encontrar o tratamento. Muitos deles sob efeito de drogas, conta a consultora Cláudia Flores Abrahan.

Nos dois anos de trabalho no VivaVoz, Cláudia, que é também estudante do 7.º semestre de Psicologia, já atendeu incontável número de telefonemas: além de dependentes, estudantes em busca de informações para trabalhos escolares, familiares querendo orientações sobre como lidar com o parente usuário de drogas.

Não é raro também receber ligações de crianças interessadas em ajudar os pais a abandonar o vício. "Para cada público, temos de ter a linguagem apropriada, uma abordagem diferente. Mas sempre procurando transmitir motivação para enfrentar o problema", conta.

O telefonema mais crítico, recorda, ocorreu há alguns meses. Do outro lado da linha, um dependente dizia que ia se matar. "As conversas vêm carregadas de emoção. Muitas vezes sugerimos que a pessoa vá buscar um copo d'água para se acalmar, esperamos o tempo que for necessário", relata.

Quando um tratamento consegue sucesso e a pessoa resolve parar de se drogar, é recomendado ao usuário fazer um acompanhamento até seis meses depois da interrupção da droga. Nesse período, sete ligações são feitas e compromissos são retomados. "Muitos conseguem completar o ciclo", destaca a professora Helena Barros.

Mas, como o atendimento do serviço também é aleatório, Cláudia afirma que nunca sabe qual será o próximo caso. "Temos de estar sempre bem preparados. Telefonemas duram o quanto for necessário." A experiência que adquiriu até agora trouxe uma certeza. "Assim que me formar, vou continuar trabalhando na área." / L.F.

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