Telas de Picasso e Portinari valem mais de US$ 55 milhões

Especialista estima que 'O Retrato de Suzanne Bloch' , de Picasso, possa atingir um valor de US$ 100 mil

Teresa Ribeiro, Pedro Dantas e agências internacionais,

20 de dezembro de 2007 | 17h53

Telas de Picasso e Portinari foram furtadas na madrugada desta quinta-feira, 20, do Museu de Arte de São Paulo (Masp), considerado o maior da América Latina.   Veja também:   EXCLUSIVO: assista ao vídeo com imagens do roubo Masp aciona Interpol, Itamaraty e PF para recuperar quadros  Brasil é o quarto do mundo em roubo de obras culturais  Blog do Daniel Piza: um roubo, uma crise e a tristeza   Veja galeria de fotos do roubo da Masp    O Retrato de Suzanne Bloch de Pablo Picasso, (óleo sobre tela, 65 x 54 centímetros) e O Lavrador de Café de Cândido Portinari (óleo sobre tela, 100 x 80 centímetros), estão entre as obras importantes do acervo do museu. O quadro de Picasso foi pintado em 1904 e pertence ao período azul, um dos mais famosos do artista espanhol, além de ser uma das mais valiosas do Masp. A tela de Portinari, datada de 1939, é um dos trabalhos mais famosos do pintor brasileiro.   Segundo estimativa do marchand e presidente da Bolsa de Arte do Rio Jones Bergamin, o quadro de Picasso valeria cerca de US$ 50 milhões (R$ 100 milhões) e o de Portinari cerca de US$ 5 milhões (R$ 10 milhões). Para Bergamin "é um absurdo que um museu desse porte não possa gastar R$ 8 mil reais para instalar um alarme e que seja arrombado com um pé de cabra e tenha suas obras valiosas retiradas com um macaco hidráulico".   A ação dos ladrões foi rápida e precisa, indicando que eles sabiam quais as obras que pretendiam levar. Imagens do circuito interno de TV mostraram que o furto foi praticado por três rapazes e durou apenas três minutos, entre as 5h09 e 5h12.   Segundo o delegado de polícia Marcos Gomes de Moura, os ladrões usaram uma um pé de cabra e um macaco hidráulico para abrir a entrada principal do museu, segundo publica a agência de notícias Efe. "Este é um trabalho muito profissional, feito por pessoas que sabiam exatamente o que estavam fazendo. Tudo indica que foram enviados por um rico amante da arte para incrementar sua coleção, alguém que apesar de ter muito dinheiro não é suficientemente rico para comprar essas obras", declarou Moura.   Abalado com o furto da obra do pai, o professor João Portinari acredita que o ato, definido por ele como " uma tragédia", possa se tratar de um seqüestro. "Não consigo atinar a motivação, por isso acho possível a hipótese de que nas próximas horas apareça uma demanda pelo resgate da obra", disse.   No fim de outubro houve uma tentativa de invasão do Masp por parte de dois homens. Mas, ao contrário desta quinta, eles acabaram fugindo sem levar nada.   Ação de proporções semelhantes ao furto do Masp nesta quinta-feira foi o ocorrido em pleno Carnaval, em fevereiro de 2006, ladrões armados renderam os vigias no museu Chácara do Céu do Rio e levaram obras de Salvador Dalí, Henri Matisse, Pablo Picasso e Claude Monet, em valor estimado de US$ 50 milhões (US$ 100 milhões).     Acervo do Masp   O Museu de Arte de São Paulo fez 60 anos no último dia 2 de outubro. O projeto de comemoração da data previa uma releitura de sua coleção pelo curador do museu, José Teixeira Coelho. O primeiro módulo Arte do Mito, foi inaugurado na ocasião.   Com um total de 9 mil obras, o museu criado por Assis Chateaubriand, idealizado por Pietro Maria Bardi, com projeto arquitetônico de sua mulher Lina Bo Bardi, possui um acervo grande importância para a história da arte.   Em entrevista à repórter do Estado Maria Hirszman, Teixeira Coelho dizia receber mensalmente meia dúzia de pedidos de empréstimo das obras de Cézanne, Van Gogh, Renoir, Degas.    

Tudo o que sabemos sobre:
masppicassoportinari

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.