Telão e luz de vitrine são o novo alvo da Lei Cidade Limpa

Ideia é regulamentar o tamanho de propagandas e mensagens em TVs e painéis de LED instalados dentro dos comércios

LUÍSA ALCALDE, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2012 | 03h08

A Prefeitura de São Paulo pretende regulamentar o tamanho de propagandas e mensagens publicitárias reproduzidas em TVs de alta resolução e em painéis de LED no interior de estabelecimentos comerciais com fachadas abertas ou envidraçadas e estabelecer limite de intensidade de iluminação de vitrines e de luzes emitidas por painéis, tanto de dia quanto à noite.

Como a Lei Cidade Limpa permite a mídia indoor e o nome do estabelecimento afixado até 1 metro para dentro da porta de entrada, o comércio em geral passou a tirar paredes e envidraçar fachadas para deixar visíveis do lado de fora seus logotipos e marcas. Outro recurso para chamar a atenção da clientela, principalmente à noite, foi exagerar na iluminação da vitrine ou instalar enormes painéis de LED com mensagens de produtos e até de promoções.

Essas práticas, que não chegam a ser ilegais, estão com os dias contados. A Comissão Permanente da Paisagem Urbana (CPPU), uma espécie de "vigia" da Cidade Limpa, tem se reunido com técnicos de universidades e fabricantes de lâmpadas e painéis eletrônicos de publicidade para estabelecer um limite de intensidade para uso desses recursos na capital. "Quando elaboramos a lei, não imaginávamos que os comerciantes iriam colocar telas imensas de alta resolução dentro de seus estabelecimentos como vem sendo feito", explica a arquiteta Regina Monteiro, diretora de Paisagem Urbana da Empresa Municipal de Urbanização (SPurb). "A intenção é aprovar uma resolução para ordenar como esses recursos poderão ser utilizados."

A reportagem percorreu na noite de quinta-feira vários locais da capital para flagrar pontos comerciais que estejam utilizando essas práticas para chamar a atenção da clientela. Um dos lugares que mais têm utilizado esses recursos é o comércio da Rua Oscar Freire, nos Jardins.

Exemplos. Mas há exemplos por toda a parte, como nas Avenidas Paulista, Brigadeiro Luís Antônio e Pacaembu e na Marginal do Tietê. A reportagem contou 28 estabelecimentos que usam esses recursos em suas fachadas ou no interior das lojas. Em todos é possível ver as enormes propagandas do lado de fora. A nova loja conceitual da Citroën, na Oscar Freire, esquina com a Rua da Consolação, é uma das que mais chamam a atenção. Um painel de LED com propaganda ocupa uma das paredes do teto ao chão. Como as paredes são de vidro, não há quem não preste atenção ou visualize as mensagens.

Nívea Ferradosa, diretora de Marketing da marca, diz não ter conhecimento de mudanças na Lei Cidade Limpa, mas afirma que, se a Prefeitura achar necessário ajustes na iluminação por considerá-la excessiva, a empresa fará o que for necessário. "Estamos dentro da lei, nossa placa do lado de fora segue os padrões estabelecidos e temos alvará", explicou.

Já quem passa pela Avenida Paulista, ao lado do Parque Trianon, deve ter notado a vitrine das Lojas Marisa, por causa da forte iluminação. A empresa afirmou que age de acordo com a legislação dos locais onde suas lojas estão instaladas. E "havendo necessidade de adequação", a empresa estudará mudanças.

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