Tecnologia pode ajudar a melhorar sistema de saúde

Prontuário eletrônico pode ajudar a organizar a rede municipal, cuja fila de espera chegou a 660 mil pacientes em 2012

O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2013 | 02h14

Instituir prontuário eletrônico em todos os hospitais e postos de saúde da rede municipal. A proposta mais bem avaliada na categoria Saúde tem todos os ingredientes para sair do papel: foi sugerida por um especialista - o médico José Knoplich, diretor por 10 anos da Associação Paulista de Medicina -, é tecnicamente possível, já que o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) e outros oito hospitais estaduais utilizam o sistema e, principalmente, está prevista com todas as letras no plano de governo do prefeito Fernando Haddad (PT). "Atualmente, seria muito fácil aplicar a ideia. O serviço de Saúde da Inglaterra usa essa tecnologia", conta Knoplich, de 77 anos, doutor em Saúde Pública pela USP.

O Instituto do Câncer é pioneiro no País em registrar digitalmente 100% dos seus procedimentos médicos. Na avaliação da instituição, o prontuário eletrônico permite padronizar a prescrição médica, que fica disponível ao mesmo tempo para a enfermagem e a farmácia. Isso evita, por exemplo, desperdício de medicamentos.

Os custos para implementar o sistema também são considerados baixos - no Instituto do Câncer, custou R$ 1,5 milhão ao longo de 3 anos - e representam economia a curto prazo. "Hoje, o gasto com o sistema está restrito somente a suporte e licenças - cerca de R$ 50 mil por mês. Para um hospital do porte do Icesp, é um valor extremamente baixo. Basta lembrar que um frasco de quimioterapia pode custar R$ 5 mil e o prontuário eletrônico rastreia seu uso, evitando desperdício e perdas", diz o diretor de tecnologia do instituto, Kaio Bin.

O uso de prontuário eletrônico também poderia ajudar a organizar um sistema saturado como o da rede municipal, cuja fila de espera chegou a 660 mil pacientes no fim do ano passado. "No nosso caso, até 94% das cirurgias canceladas com até 24h de antecedência são substituídas pelo próximo paciente. No ano passado, foram mais de 1.300 cirurgias recuperadas. Isso representa cerca de 5.200 horas de sala cirúrgica, o que nos trouxe economia de R$ 3 milhões, sem contar o beneficio de poder atender mais pacientes", completa Bin.

O sucesso no uso do equipamento no Instituto do Câncer levou a área de tecnologia do hospital a exportar o conhecimento a outras unidades de saúde. "Utilizam ferramentas desenvolvidas a partir de nossas necessidade, como a farmácia ambulatorial, por exemplo."

De acordo com a Assessoria de Imprensa da Prefeitura, o prontuário eletrônico está "em estudos".

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