Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão

Tecnologia eleva elucidação

Mas delegado diz que é preciso ‘faro de detetive’

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

02 Fevereiro 2014 | 02h04

SOROCABA - Quando o subcomandante da Guarda Municipal de Mairinque, Laércio de Souza Lanes, de 44 anos, e sua mulher, Lindalva, de 38, foram assassinados a tiros dentro de casa, em agosto do ano passado, familiares e colegas de corporação ligaram o crime à vingança. Lanes havia apreendido veículos furtados e auxiliado a Polícia Militar a fazer prisões na cidade. Uma informação colhida no velório, de que ele se preparava para mudar de residência, chamou a atenção da Polícia Civil e levou ao esclarecimento do crime. O guarda havia vendido a casa e teria recebido R$ 240 mil.

O rumo da investigação mudou e, em 20 dias, os seis acusados pelo crime tinham sido identificados e estavam com mandados de prisão expedidos – dois deles estão presos. “A motivação foi o dinheiro. Um vizinho sabia do negócio e passou para a quadrilha. Foi uma solução rápida porque pusemos gente no local do crime, na vizinhança e até no velório”, diz o delegado-seccional de Sorocaba, Marcelo Carriel.

O Deinter-7 de Sorocaba é um dos departamentos da Polícia Civil paulista que mais esclareceram latrocínios em 2013. Dos 19 casos em 79 municípios, 18 foram elucidados – 95%.

Na Seccional de Sorocaba, com 18 cidades, 45 delegacias e população de 1,5 milhão de habitantes, o índice é ainda maior, afirma o delegado. “Além dos 13 latrocínios de 2013, esclarecemos dois do ano anterior, elevando o índice para 115%.”

O período coincide com a mudança da cúpula do Deinter, em janeiro do ano passado, com as nomeações do delegado Júlio Guebert para o departamento e de Carriel para a seccional. “Mudamos a forma de investigar, indo ao local do crime, em vez de esperar os laudos, e usando ferramentas tecnológicas.”

Rastreamento. Em outro duplo latrocínio em Mairinque – um casal foi morto e duas crianças abandonadas na estrada, em setembro –, os policiais rastrearam os celulares das vítimas e chegaram aos criminosos. Os aparelhos os colocaram na cena do crime no horário em que o casal foi morto.

Carriel conta que a equipe passou a ter apoio de uma central de inteligência que mapeia os crimes e cruza informações. Apesar da infraestrutura, há falta de pessoal – o efetivo não acompanhou o crescimento da região –, mas a equipe é motivada.

Delegado há 23 anos, Carriel conta que já passou por muitas delegacias e aprendeu que os resultados também dependem do “faro de detetive”. No ano passado, 400 policiais passaram por treinamento no Deinter, fazendo cursos de informática, uso de armas, coleta e análise de DNA. “Muitos casos foram resolvidos com providências simples, como requisitar imagens de câmeras no local ou num possível trajeto dos criminosos”, diz.

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