Tecnologia auxilia tratamentos veterinários

Grupo brasileiro é pioneiro em aplicar novos métodos para recuperar animais domésticos e silvestres que sofreram acidentes

Fábio Brito, O Estado de S.Paulo

27 Fevereiro 2017 | 03h00

Boa vontade e tecnologia de ponta aplicada à Medicina Veterinária têm ajudado os bichos domésticos e silvestres que sofreram acidentes ou maus-tratos a viverem uma vida quase normal. E são os brasileiros os pioneiros quando o assunto é a utilização de impressão 3D para a criação de próteses para uso em animais.

Esse trabalho iniciou com um grupo voluntário chamado de Animal Avengers (Vingadores dos Animais, em tradução livre), uma equipe multidisciplinar, que tem como integrantes dentistas e veterinários. O principal objetivo é o de recuperar a qualidade de vida e salvar a animais feridos, utilizando próteses convencionais ou até mesmo impressas em 3D.

A equipe é coordenada pelo médico-veterinário Roberto Fecchio, que é o responsável pela avaliação dos bichos e verifica a necessidade da colocação de próteses nos animais mutilados. A partir dessa primeira avaliação, outros profissionais participam dentro das suas especialidades para auxiliar na confecção.

Um dos animais que teve uma grande transformação, levando em conta a qualidade de vida após trauma, foi o jabuti chamado Freddy. Vítima de um incêndio, ele ficou com o casco completamente comprometido, e fatalmente o destino seria a morte. 

Um dos vingadores, o dentista e professor universitário Paulo Miamoto, membro da equipe original, participou da impressão 3D para salvá-lo. “A gente escaneou o Freddy e um jabuti saudável, para compararmos”, comenta Miamoto. “Após a etapa de modelagem 3D feita pelo designer Cícero Moraes, imprimimos o casco do animal saudável”, explica.

Para a colocação, a equipe de veterinários realizou o procedimento de anestesia e cirurgia. No caso do Freddy, a prótese ficou tão bem adaptada que nem houve a necessidade perfurar os ossos para ajustar o casco artificial.

Essa técnica, além de inovadora e sustentável, reduz drasticamente o valor da prótese em relação a uma convencional para ossos, em material médico, que varia em torno de R$ 5 e R$ 6 mil, podendo sair mais caros em casos complexos. As feitas pelo Animal Avengers, em um plástico resistente e com base em substância extraída da cana, custam, em média, R$ 14. Nesse caso, não está sendo considerado o uso da impressora e do tempo de trabalho das pessoas envolvidas, já que são cedidos de maneira voluntária para a causa.

O grupo, em pouco mais de um ano, já ajudou 14 animais, entre eles jabuti, gansos, araras, uma cadela que quebrou os dentes, tucanos, entre outros.

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