Técnicos correm contra o tempo para resgatar soterrados em Santos

Na segunda-feira, 11, 50 mil toneladas de pedras, terra e vegetação deslizaram em uma pedreira; dois trabalhadores estão sob os entulhos

Zuleide de Barros, O Estado de S. Paulo

14 de abril de 2011 | 19h14

SANTOS - A agonia tomou conta dos familiares dos dois trabalhadores soterrados na segunda-feira, 11, quando 50 mil toneladas de pedras, terra e vegetação deslizaram de uma encosta na pedreira da empresa Max Brita, que fica localizada nas proximidades de Monte Cabrão, altura do Km 245 da Rodovia Rio-Santos, na Área Continental de Santos.

 

Depois de dois dias de planejamento para que a operação pudesse ter êxito, sem riscos para as equipes de resgate, técnicos da Defesa Civil santista e de Guarujá, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), Corpo de Bombeiros e do pessoal do Grupo de Ações Táticas Especiais da Polícia Militar (Gate) iniciaram efetivamente as buscas, que começaram logo cedo, com a implosão de uma pedra de cerca de 300 toneladas, apontada como o principal empecilho para o acesso ao local onde poderiam estar localizados os dois operários desaparecidos.

 

Três cães farejadores foram essenciais no trabalho dos técnicos, uma vez que apontaram a provável localização dos corpos e onde as ações deveriam se concentrar, depois de percorrerem um trecho de 100 metros quadrados, em torno da avalanche.

 

Todo o trabalho foi acompanhado de perto pela família de Jucelino Mendonça de Souza, de 45 anos, que havia 15 anos trabalhava na pedreira e do motorista Walter Santana, que estava há apenas um mês na empresa. O semblante de Marinita Rodrigues de Deus, mãe de Jucelino, já não era o mesmo dos dias anteriores. "Entreguei nas mãos do Senhor e que seja feita a vontade dele", afirmava tensa, enquanto o irmão desabafava: "se ele estiver vivo, vou percorrer um bocado de igrejas, dando o meu testemunho do milagre".

 

Critério era a palavra de ordem do coordenador da Defesa Civil de Santos, Ernesto Tabuchi, ao destacar que era a primeira vez que o município enfrentava um acidente de tamanha gravidade.

 

O major Wagner Silvério de Souza, do Corpo dos Bombeiros, lembrava que depois da implosão da rocha, o pessoal de buscas tinha de se concentrar na remoção do entulho, trabalho que demandava algum tempo, daí a demora na ação.

 

Ao visitar o local na terça-feira, o comandante da Polícia Militar na região, coronel Sérgio Del Bel, afirmou acreditar que os dois homens estivessem vivos, levando-se em conta a existência de um bolsão de ar, formando uma espécie de caverna que poderia protegê-los.

 

Às 18h15 desta quinta-feira, 14, o soterramento completou 60 horas, uma vez que a avalanche ocorreu às 6h15 de terça-feira, quando quatro funcionários da pedreira trabalhavam no local. Dois motoristas conseguiram se salvar, muito assustados, depois de escalarem a encosta. O caminhão operado por Clayton dos Santos permanecida pendurado na encosta, até o final da tarde.

 

Hoje o representante do Sindicato dos Mineradores, Francisco Pacheco, esteve presente na pedreira. Ele atribuía o acidente a uma fatalidade, ao destacar que não só a Max Brita, como as demais pedreiras da região, estão acostumadas a realizar simulados de emergência, a fim de treinar todos os trabalhadores.

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