Técnicos começam a avaliar prejuízo em São Luiz do Paraitinga

Patrimônio histórico da cidade foi consumido pelas chuvas; relatório de danos deve sair apenas daqui 90 dias

João Carlos de Faria, especial para o Estado,

05 Janeiro 2010 | 19h10

Caixão que foi levado pelas águas, em frente ao velório da cidade. Foto: José Patrício/AE

 

SÃO LUIZ DO PARAITINGA - Técnicos da Secretaria do Patrimônio Histórico e Arquitetônico Nacional (Sphan) e do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) visitaram nesta terça-feira, 5, o que sobrou do conjunto histórico de São Luiz do Paraitinga, atingido pelas águas que cobriram a cidade até segunda-feira, quando o nível do rio Paraitinga começou a baixar. "Essa é uma primeira visita para se ter uma ideia, "in loco", do que aconteceu. É um ato de solidariedade à população", afirmou a superintendente do Sphan em São Paulo, Anna Beatriz Ayroza Galvão. "Estou me sentindo como se estivesse vendo uma cidade bombardeada", completou.

 

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Um grupo de 12 técnicos dos dois órgãos, acompanhado também da presidente do Condephaat, Rovena Negreiros e da prefeita local Ana Lúcia Bilard (PSDB), andou pela cidade por cerca de duas horas e constatou previamente que a metade dos 24 imóveis tombados como prioridade de grau 1 - casarões mais centrais e de maior valor histórico e arquitetônico - terão que ser recuperados.

 

Desses, seis ruíram com a força das águas. Os outros 413, enquadrados, de prioridade 1A, não foram vistoriados. O estudo que estava sendo feito pela Sphan para transformar a cidade em patrimônio nacional, com tombamento urbanístico e paisagístico, agora vai ser revisto. "Isso terá que ser redimensionado", disse superintendente.

 

Segundo o arquiteto José Saya, do Sphan, a queda de alguns casarões pode ter sido provocada pela onda de água que se formou logo após a queda da igreja Matriz de São Luiz de Toloza e da capela das Mercês. "A força das águas e a fragilidade da taipa foram fatais" afirmou.

 

Para o historiador luizense, Marcelo Toledo, muitos fatores contribuíram para as quedas principalmente no caso da Igreja Matriz, que segundo ele já apresentava problemas de rachaduras. "A Mitra Diocesana já sabia e o Poder Público local sempre foi omisso", reclamou. Toledo é autor da ação pública que proibiu o tráfego de caminhões pesados na área tombada.

 

RECONSTRUÇÃO

 

Uma equipe de especialistas em restauro e preservação vai discutir a melhor alternativa para recuperar o patrimônio luizense, conjuntamente com a prefeitura local e com a população. A presidente do Condephaat, Rovena Negreiros disse que um diagnóstico prévio da situação, que começa a ser feito a partir desta quarta-feira sairá só em 90 dias.

 

Os técnicos também observaram que será possível reconstruir os casarões com materiais modernos, mantendo-se suas características originais, mas não se arriscaram a dizer quanto isso vai custar. "Não sei de onde saiu esse valor estimado de R$ 100 milhões. Nesse momento é difícil imaginar o custo dessa ação", afirmou Rovena.

 

"Vamos, juntamente com os técnicos do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), Defesa Civil e prefeitura, avaliar e definir todos os encaminhamentos para manter a condição de centro histórico que a cidade representa para o Estado e para o Brasil", afirmou.

 

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