Teatro Castro Mendes é reaberto após 5 anos em Campinas

Reforma, que deveria ter durado 12 meses, custou mais de R$ 10 milhões; reinauguração teria ópera de Carlos Gomes

RICARDO BRANDT / CAMPINAS , O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2012 | 02h06

A ópera Lo Schiavo (O Escravo), de Carlos Gomes, foi a obra escolhida para a reabertura do Teatro Castro Mendes, em Campinas, interior de São Paulo, na noite de ontem, após cinco anos fechado para uma reforma que deveria ter durado 12 meses e custou mais de R$ 10 milhões.

A peça estava prevista para ser executada pela Orquestra Sinfônica de Campinas e seus 119 integrantes, sob regência do maestro Victor Hugo Toro, para uma plateia de 770 lugares, ainda cheirando a tinta. A apresentação da ópera, baseada nos escritos originais do brasileiro Alfredo Taunay, coloca fim à novela tragicômica em que se transformaram o fechamento e a reforma do teatro.

O Castro Mendes é o maior teatro público de Campinas, a maior cidade do interior que teve no passado uma vida cultural de destaque no País.

Em 2007, depois de problemas estruturais, episódios de goteiras no palco, choques elétricos e abandono, o teatro foi fechado pela prefeitura para reforma. A obra só começou em 2010 e deveria custar R$ 7 milhões - o custo final foi de R$ 10,3 milhões.

Com o fechamento do teatro do Centro de Convivência Cultural, também por problemas estruturais em 2011, Campinas estava há mais de um ano sem um teatro público para apresentações. A reabertura, que estava marcada para o dia 1.º de dezembro, foi remarcada em cima da hora e até ontem havia riscos de um novo adiamento. Os músicos da Orquestra Sinfônica ameaçaram não se apresentar e cancelaram o ensaio que fariam no palco um dia antes por causa da sujeira da obra e da falta do sistema de ar-condicionado. "Hoje (ontem) à tarde, já está tudo limpo, o pessoal da orquestra esteve aqui e garantiu que há condições de se apresentar e tudo foi liberado pelos bombeiros", afirmou a secretária de Cultura de Campinas, Renata Sunega.

Compositor. A soprano Niza de Castro Tank interpretaria a obra do mais ilustre compositor campineiro, Carlos Gomes (1838-1896). Sem uma arquitetura marcante, o Teatro Castro Mendes foi inaugurado em 1974, no espaço onde funcionava o Cine Casablanca, na Vila Industrial.

Sua inauguração aconteceu nove anos após a demolição do histórico Teatro Municipal de Campinas, no centro. Por ser um cinema adaptado, sua acústica sempre foi um problema. Com a reforma, ela foi totalmente remodelada. A plateia, que tinha capacidade para 831 pessoas, agora tem 770 lugares e perdeu espaço para o palco e o recuo, que foram ampliados.

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