Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Taxistas protestam no centro de SP contra aplicativos de carona

Manifestantes foram do Estádio do Pacaembu à Câmara Municipal, onde se reuniram com a Comissão de Trânsito e Transporte

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

08 Abril 2015 | 11h33

Atualizado às 23h17

SÃO PAULO - Taxistas saíram nesta quarta-feira, 8, às ruas de três capitais – São Paulo, Curitiba e Rio – em protesto contra os aplicativos de carona. Segundo a categoria, o uso configuraria serviço clandestino de táxi, sem autorização das prefeituras. Só em São Paulo, de acordo com o sindicato da categoria, 3 mil taxistas – 500, segundo dados da Polícia Militar – saíram em carreata do Estádio do Pacaembu, zona oeste, até a Câmara Municipal, na região central.

Em Curitiba, cerca de 200 taxistas participaram da manifestação. No Rio, cem motoristas protestaram no Palácio Guanabara, sede do governo do Estado, na zona sul. Em seguida, eles se dirigiram para a sede da prefeitura, na região central.
Na capital paulista, as lideranças foram recebidas pela Comissão de Trânsito e Transporte, que se comprometeu em marcar uma audiência pública com autoridades policiais, líderes sindicais e o Departamento de Transportes Públicos (DTP) para novos esclarecimentos. O aplicativo mais criticado pelos taxistas é o Uber, que reúne motoristas sem licença que atuam com a mesma função de taxistas e cobram para realizar trajetos. O serviço é considerado ilegal em São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Brasília.

Em São Paulo, calcula-se que 1.200 carros estejam vinculados ao aplicativo. Para oferecer e cobrar pelo serviço, no entanto, o Município exige que o motorista seja cadastrado como taxista, o que não acontece no caso de alguns aplicativos. Quem exerce o trabalho sem autorização da Prefeitura está sujeito à apreensão do veículo e multas. 

“O primeiro motivo que torna (o aplicativo) ilegal é o fato de não ter alvará de estacionamento, que autoriza o exercício da atividade no caso de São Paulo. E também há a questão do condutax, documento que habilita o profissional para poder exercer o transporte individual de passageiros”, disse o diretor do DTP, Daniel Telles, na Câmara.

Segundo ele, a Prefeitura apreendeu 17 veículos cadastrados no aplicativo nos últimos dez meses. O departamento ainda encaminhou informações sobre o Uber à Polícia Civil, ao Detran e ao Ministério Público Federal. Sobre o aplicativo, o MPF informou que colhe informações sobre a empresa desde janeiro, com base em denúncia feita na Procuradoria. 

Tecnologia. De acordo com Telles, o aplicativo, o Google e a Apple já foram notificados. Procurada, a empresa responsável pelo Uber não confirmou se recebeu a notificação. Por meio de nota, negou que seja uma empresa de táxi ou que forneça o serviço. A Uber é “uma empresa de tecnologia que criou uma plataforma tecnológica que conecta motoristas parceiros particulares a usuários que buscam viagens seguras e eficientes”. / COLABORARAM FÁBIO GRELLET e JÚLIO CÉSAR LIMA 

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