Taxistas ''invadem'' Interlagos entre 18h e meia-noite

Aferição de taxímetro de acordo com nova tarifa é feita no autódromo; motoristas aproveitam e ''tiram uma lasquinha'' da pista

Edison Veiga, O Estado de S.Paulo

06 Fevereiro 2011 | 00h00

Se algum desavisado aparecer no Autódromo de Interlagos entre 18h e 0h por esses dias, tomará um susto. "Uma corrida de táxis?", pensará. É o que parece mesmo. Desde 19 de janeiro, o circuito é utilizado para a verificação dos taxímetros dos 33 mil táxis que circulam em São Paulo - os aparelhos têm de estar regulados de acordo com a nova tarifa, em vigor desde 15 de janeiro.

Os carros ficam no bolsão de estacionamento do autódromo. Mil carros por dia, 200 por hora. Às 18h, quando é dada a largada para o serviço, eles são orientados, em grupos, a subir para os boxes. Ali, cada taxista parte para uma volta com um fiscal - são 20 - do Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo (Ipem), autarquia responsável pela aferição dos equipamentos. Os primeiros 1.080 metros são em "bandeira 1", e o taxímetro precisa marcar R$ 7,70. Depois, vêm os 1.160 metros em "bandeira 2" - R$ 9,80.

Antes de ser liberado, o motorista ainda fica 35 segundos parado e, por esse tempo, a variação no taxímetro precisa ser de R$ 0,30. Medidos, portanto, movimento e hora parada, o motorista pode ter seu taxímetro lacrado. Está OK. Se for reprovado, o que tem acontecido com cerca de 22 por dia, deve retornar à oficina que regulou o taxímetro.

Taxistas. O sorrisão estampado no rosto deles ao entrar na reta dos boxes já denuncia: para quem gosta de carros, dirigir no autódromo, ainda que a uma velocidade que dificilmente passará de 60 km/h, é um sonho. "Eu sou fã de automobilismo e nunca tinha entrado no autódromo. Agora já até dei uma volta", conta Osmar Soares, de 71 anos.

Uma semana depois de testar seu carro, foi de novo. Desta vez acompanhando o filho, também taxista, Wagner Soares, de 48 anos. "Eu venho a Interlagos pelo menos quatro vezes por ano, para ver as corridas. É muito bacana dirigir aqui", diz Wagner.

Joselias Bezerra dos Santos também é só felicidade. "É bonito demais o autódromo por dentro", comenta. Para Ivan do Nascimento, de 63 anos, a experiência teve um quê de nostalgia. Em 1990, a serviço de uma emissora de TV, ele também deu suas voltinhas em Interlagos. "Era época do GP Brasil de Fórmula 1 e eu dirigi uma Kombi com os equipamentos para instalar na pista", lembra. "O (Ayrton) Senna ainda era vivo. Até vi o (então piloto Gerhard) Berger."

Mas nem tudo é positivo na opinião dos taxistas. Eles não poupam críticas ao serviço. "Antes era descentralizado, então eu fazia lá na zona leste, perto de casa. Agora perco um tempão no deslocamento", diz Wagner. "Isso sem falar na demora."

Antes. A utilização de Interlagos foi possível graças a um acordo do Ipem com a Prefeitura. "Antes, as aferições eram feitas em quatro, cinco pontos, na rua mesmo. Atrapalhava o trânsito", diz Paulo Lopes, diretor de Metrologia Legal do Ipem.

"Também ganhamos em agilidade", afirma Fabiano Marques de Paula, superintendente do Ipem. "Com o autódromo, conseguimos reduzir de 90 para 33 dias úteis o atendimento de todos." As inspeções terminam dia 3 de março.

FIQUE ATENTO

Pegou um táxi por esses dias? Saiba identificar se o taxímetro já foi alterado ou não, para não pagar a mais pela corrida:

Bandeirada a R$ 3,50

Se o valor for o antigo, anterior ao reajuste, o motorista deverá usar a tabela de conversão. Com ela, o taxista compara o valor do taxímetro para informar o que deve ser pago.

Bandeirada a R$ 4,10

Se o taxímetro indicar R$ 4,10, ele já foi ajustado e, portanto, o motorista não poderá usar a tabela de conversão. Esse é o procedimento correto, mesmo se o equipamento não tiver ainda o lacre que informa que taxímetro já foi conferido pelo Ipem e vale até o ano que vem. Nesse caso, ele pode estar dentro da margem dos cinco dias úteis a que tem direito entre a oficina e a checagem em Interlagos.

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