WERTHER SANTANA|ESTADÃO
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Taxistas protestam contra regulamentação do Uber em SP

Prefeito Fernando Haddad (PT) apresentou na manhã de terça-feira decreto que pretende organizar serviços do aplicativo

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

29 de dezembro de 2015 | 14h32

Atualizado às 15h35

SÃO PAULO - Taxistas protestaram nesta terça-feira, 29, contra a proposta da Prefeitura de São Paulo que pretende regulamentar serviços de transporte de passageiros como o do aplicativo Uber. Antes de a regulamentação valer, o texto do decreto deverá passar por consulta pública, recebendo sugestões dos cidadãos. 

Durante a manhã, um grupo de cerca de cem taxistas interditou o Viaduto do Chá, na região central. De lá, seguiram para o Aeroporto de Congonhas, na zona sul, onde bloquearam o acesso da área de embarque. Eles impediam a entrada de taxistas para forçar uma maior adesão ao protesto e soltavam fogos de artifícios e jogavam bombas no chão para fazer barulho. Houve bate-boca com policiais militares, que ameaçaram multar os táxis que impediam a passagem dos carros.

O bloqueio durou pouco mais de um hora e o acesso foi liberado depois que o presidente do  Sindicato dos Motoristas nas Empresas de Taxis no Estado de São Paulo (Simtetaxi), Antonio Matias, disse aos manifestantes ter recebido uma ligação do prefeito para explicar a nova proposta. “Ele não pode virar as costas a nós e subestimar a categoria”, disse Matias.

O protesto provocou congestionamento nas avenidas 23 de Maio e Rubem Berta. Muitas pessoas que estavam com voo marcado saíram dos veículos e foram a pé até o terminal. Alceu Weber, de 56 anos, ficou por uma hora preso no congestionamento no entorno do Aeroporto de Congonhas por causa do protesto. Ele desceu do táxi em que estava e andou por cerca de 800 metros com medo de perder o voo. "Eles têm razão em lutar pelo que têm direito, porque ninguém pode atuar sem pagar imposto, mas não podem prejudicar as outras pessoas". 

A médica Marina Cruz, de 36 anos, também desceu do táxi e foi andando até a área de embarque. "As pessoas têm que ter direito de escolher por Uber ou táxi. Eles não podem impor só o serviço deles, sem qualidade , e ainda impedir a nossa circulação", disse.

É a segunda tentativa da prefeitura para regulamentar o Uber ao transporte de passageiros no município, o que tem sido contestado pelos taxistas. A empresa Uber é proibida por lei municipal de prestar seu serviço na capital paulista. O texto foi aprovado pela Câmara Municipal em setembro e sancionado por Haddad em outubro. Entretanto, graças a uma emenda apresentada pelo Poder Executivo ao projeto da Câmara, foi feita uma brecha que permitiu à Prefeitura criar um grupo de estudos para discutir a regulamentação da Uber.

A Câmara, entretanto, aprovou em primeira votação, no último dia de trabalhos do ano, texto que diz justamente o oposto: libera o Uber e cria regras para uso de carros compartilhados na cidade. Mas o texto ainda precisa de uma segunda votação, tida como mais difícil, para ser levado à sanção do prefeito.

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