Taxista aposenta guia e adere ao GPS

Aplicativos também substituem velho radiotáxi

JULIANA DEODORO, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2012 | 02h04

Foi-se o tempo em que para chegar ao endereço mais famoso de São Paulo era preciso ir à página 151 e procurar pelo quadrante E29 no guia de ruas. Hoje, o motorista nem termina de escrever "Paulista" e o leitor do GPS já completa o logradouro, traça a rota e avisa o quão distante se encontra do destino. Com a chegada e a disseminação do aparelho, os guias de papel perderam espaço, especialmente entre aqueles que trabalham ao volante.

Apesar de o Departamento de Transportes Públicos (DTP) da Prefeitura obrigar todos os taxistas a ter um guia com edição de até três anos em bom estado de conservação, o livro tem ficado cada vez mais dentro do porta-luvas. "O GPS é uma mãe. Você dá a partida e ele já vai te guiando. O guia é coisa do passado", diz o taxista Sérgio Aparecido Silveira, de 54 anos.

A troca pela tecnologia trouxe consequências para as editoras que fazem o guia. Desde 2010, por exemplo, o Guia Quatro Rodas de ruas não é mais editado em São Paulo. "Com a entrada do GPS, nós deixamos de publicar o mapa de ruas e migramos. Hoje, temos o nosso próprio GPS", afirma o editor Fábio Peixoto. A publicação se associou a uma empresa que fabrica os aparelhos e, além da rota, oferece acesso ao banco de dados com avaliações de mais de 12 mil estabelecimentos pela cidade.

Para Thaise Rodrigues, editora executiva da Editora Online (dos guias Mapograf e Cartoplan), o GPS é um caminho sem volta. A empresa tem um projeto de criação de um aparelho próprio, ainda em fase de concepção. "Temos ainda um público cativo que prefere os guias."

A confiabilidade é o principal motivo para que o taxista Jurandir da Silva, de 61 anos, seja o único do ponto da Rua do Rócio, na Vila Olímpia, a usar mapa de papel. "É um pouquinho de desleixo, sei que ajuda demais, mas ainda estou na moda antiga. Dos 37 mil taxistas de São Paulo, 36 mil têm o GPS. São poucos os 'Jurandirs' sem o aparelho", diz.

Tecnologia. Outro antigo instrumento de trabalho dos taxistas está prestes a perder adeptos: o radiotáxi. Pelo menos três aplicativos recém-lançados no mercado facilitam a vida dos usuários e dos profissionais.

Com o aplicativo já instalado no celular, o usuário solicita um táxi. O sistema procura qual dos veículos cadastrados está mais próximo. Ao usuário é informada a distância em que ele se encontra e em quanto tempo vai chegar.

"É a maior novidade que apareceu no setor desde 1970, quando surgiu o radiotáxi", afirma o diretor da empresa que criou o aplicativo Taximov, Nathan de Vasconcelos Ribeiro. Até agora, o Taximov tem mais de 320 taxistas cadastrados e 3 mil usuários. Segundo Ribeiro, o aplicativo é especialmente vantajoso para os taxistas, mesmo pagando R$ 4 por corrida.

Para Arthur Pelanda, idealizador do Taxijá, outro aplicativo com funções semelhantes, as vantagens para os clientes também são grandes. "O usuário pode ficar seguro porque o taxista tem um cadastro conosco. E o taxista não precisa ficar atrás de passageiro", garante.

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