Táxis clandestinos invadem a cidade

Motoristas agem principalmente em Congonhas e na Rodoviária do Tietê, com veículos velhos e taxa mais alta que o serviço regular

Fabiano Nunes - Jornal da Tarde, O Estado de S.Paulo

14 Maio 2011 | 00h00

Motoristas de táxis clandestinos agem sem cerimônia no Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, e no Terminal Rodoviário do Tietê, na zona norte. Eles usam carros particulares, mais velhos do que o exigido por lei para os táxis comuns. Sem taxímetro, cobram a viagem fechada, mais cara do que o serviço regular. A prática é proibida pela Prefeitura.

 

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A capital tem cerca de 32 mil taxistas registrados e a categoria estima que existam outros mil na ilegalidade. A reportagem fez duas viagens com táxis clandestinos. Em Congonhas, o serviço é oferecido aos passageiros na calçada do terminal de desembarque. A Infraero, estatal que administra o aeroporto, determina que só táxis com passageiros podem circular na via do embarque. "Eles costumam pegar um passageiro "falso" na Avenida Washington Luís para acompanhá-los até o aeroporto. Quando chegam lá, acabam pegando outros", diz um trabalhador legalizado. Cartazes no aeroporto orientam os passageiros a usar apenas serviços credenciados.

O trajeto feito pela reportagem foi o mesmo nos dois dias: embarque em Congonhas com destino à região da Rua 25 de Março. Um dos veículos tinha mais de 20 anos. Segundo a legislação municipal, a frota de táxi não pode ultrapassar dez anos. O valor da corrida foi de R$ 45 - com taxímetro, custaria cerca de R$ 30.

"Como aqui está sem vaga para estacionar, deixo meu carro ao lado do Hotel Ibis (na Washington Luís) ", disse um motorista clandestino em uma das viagens. A reportagem seguiu ao lado dele, atravessou a passarela na frente do aeroporto e embarcou em um Escort vermelho, sem taxímetro, na Rua Renascença. Inicialmente, cobrou R$ 52, mas a corrida acabou saindo por R$ 45, após a reportagem dizer que havia pago menos em outra viagem. No final, o motorista emitiu um recibo frio, com um número de placa diferente da do veículo.

Tietê. No Terminal Rodoviário do Tietê, motoristas clandestinos ficam ao lado das escada rolantes. Após fecharem a corrida, eles levam o passageiro para um estacionamento na esquina da Avenida Cruzeiro do Sul com a Rua Padre Ildefonso. A reportagem fechou uma corrida para o centro de São Paulo por R$ 25. O taxista desistiu da viagem quando um amigo o avisou que ele estava sendo fotografado.

A Prefeitura diz fazer fiscalizações diárias para coibir a ação dos clandestinos. "O passageiro não tem segurança. Muitas vezes eles já foram taxistas, tiveram sua licença cassada e voltam a trabalhar na praça extorquindo dinheiro", afirma Natalício Bezerra, presidente do Sindicato dos Taxistas de São Paulo.

Apreensão

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táxis irregulares foram apreendidos no ano passado, segundo o Departamento de Transporte Público da Prefeitura de São Paulo.

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