Taxa de ocupação dos hotéis da capital caiu 5% em 2012

Feriadões e crescimento de meios de hospedagem "alternativos", como albergues, são citados como motivo da queda

NATALY COSTA, O Estado de S.Paulo

11 Março 2013 | 02h05

Pela primeira vez desde 2009 e mesmo com os esforços de propaganda para atrair mais turistas para São Paulo, a taxa de ocupação dos hotéis da capital paulista caiu em 2012. A ocupação média dos quartos ficou em 65%, enquanto no ano anterior o setor comemorava o recorde de quase 70% de lotação. Os dados são da última pesquisa sobre meios de hospedagem da São Paulo Turismo (SP Turis).

"Os números de agora têm mais a ver com a nossa realidade. O que houve em 2011 foi um pico de ocupação, algo atípico", afirma Toni Sando, presidente executivo do São Paulo Convention & Visitors Bureau (SPCVB).

Os preços também subiram: a diária média nos hotéis de São Paulo, hoje, é de R$ 295, ou 22% mais cara do que em 2011. O valor recorde foi em maio do ano passado, quando os quartos de hotel chegaram a custar em média R$ 316. Para o setor, não houve um aumento, e sim uma "recuperação" dos preços, que estavam defasados.

Toni Sando afirma que há uma falta de quartos em São Paulo em determinados períodos, como quando há grandes shows internacionais, feiras e eventos.

"É todo mundo querendo se hospedar no mesmo lugar, na mesma época. Se comercializássemos mais os quartos em datas alternativas, não haveria esse aumento no valor das diárias, puxado pela grande demanda e pouca oferta", diz.

Feriados. A diretora de Turismo da SPTuris, Luciane Leite, afirma que o turismo em São Paulo continua crescendo. "Em 2011 recebemos 12,1 milhões de turistas. No ano passado, foram 12,5 milhões", revela. Mas, como 76% dos turismo em São Paulo é corporativo, ou seja, é gente que vem a trabalho e acaba aproveitando um pouco da cidade, Luciane acredita que a quantidade de feriados prolongados no ano passado possa ter interferido na taxa de ocupação dos hotéis. "Além dos feriadões, as pessoas também estão escolhendo hospedagens alternativas que não os hotéis tradicionais", diz.

A diretora se refere aos albergues, cujo número mais que dobrou nos últimos dois anos. São 32 estabelecimentos do tipo hoje na capital. Por incrível que pareça, eles não recebem apenas jovens e estrangeiros: o motivo predominante do hóspede dos albergues em São Paulo também é negócio, assim como nos hotéis.

Fim de semana. A pesquisa da SP Turis mostra ainda que os turistas em São Paulo geralmente fazem check-in nos hotéis às segundas e saem às quintas. Por isso, houve uma mudança de estratégia: a antiga São Paulo Best Week, semana de promoções na hotelaria que acontecia algumas vezes ao ano, agora é São Paulo Best Weekend, para estimular que o visitante venha à capital nos fins de semana. Para isso, as tarifas ficam mais em conta de sexta a domingo, e os hotéis oferecem outros "mimos", como café da manhã e internet grátis.

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