Taxa de homicídio de SP só cresce na região central

PM afirma que não é um fenômeno natural e promete intensificar, a partir de amanhã, blitze noturnas em busca de armas brancas

Bruno Paes Manso e Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

03 Fevereiro 2011 | 00h00

Contrariando a tendência de toda a cidade de São Paulo, a região que engloba os distritos policiais da Seccional Centro, formada pelos bairros de Sé, Jardins, Brás, Consolação, Cambuci, Bom Retiro, Santa Ifigênia, Liberdade, Pari e Santa Cecília, foi a única área da capital a registrar aumento de homicídios no ano passado.

O total de assassinatos nos bairros do centro cresceu 20% e chegou a 108 casos - no ano anterior, haviam ocorrido na região 90 homicídios. Os dados são do Sistema de Informações Criminais (Infocrim) da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Apesar do aumento localizado, a capital registrou no ano passado taxa de 10,6 assassinatos por 100 mil habitantes, a mais baixa desde 1985, quando pela primeira vez a Coordenadoria de Análise e Planejamento publicou números de criminalidade.

Na área central, apenas três entre os dez distritos - Sé, Bom Retiro e Santa Ifigênia - concentram 53% dos casos. Nos Jardins, área nobre da cidade, ocorreram apenas dois assassinatos em 2010.

Nas demais regiões da capital, os homicídios se mantiveram estáveis na Seccional Leste (57 casos) e na Seccional de Santo Amaro (308 casos) - esta última é historicamente a mais violenta da cidade. As outras seccionais registraram queda nas taxas: a diminuição na Norte foi de 13% (195 homicídios); na Oeste, 8% (174); na Seccional de São Mateus caiu 6% (143) e na Sul, 18% (66 casos).

Os números do centro surpreenderam a cúpula da Polícia Militar, que desde dezembro de 2009 vem reforçando o policiamento na área por meio da Operação Delegada, o chamado "bico oficial", feito em parceria com a Prefeitura. Ao todo, mais de 6 mil homens passaram a trabalhar na região com o objetivo principal de fiscalizar o comércio ambulante.

Blitze. Na tarde de ontem, o Estado-maior da PM se reuniu para tentar entender os motivos do crescimento e traçar medidas para diminuir a violência na região. Entre os 108 casos do centro, 66 ocorreram de noite, entre as 18 horas e 6 da manhã, período em que a Operação Delegada não funciona. Há também forte incidência de casos nos sábados e segundas-feiras, os dias mais violentos, com 21 casos cada.

Segundo o coronel Marcos Chaves, comandante da PM na capital, a partir de sexta-feira, a polícia vai intensificar as blitze noturnas em bares e ruas da região central nos períodos em que a chance de ocorrer violência é maior. A prioridade será a busca por armas brancas.

Na avaliação da polícia, o perfil dos homicídios no centro foge das características dos ocorridos nas periferias da cidade.

Facas. Ao contrário do que predominou no auge da epidemia de assassinatos na capital, os casos do centro chamam a atenção por envolver grande quantidade de facas. Em dez boletins de ocorrência analisados pelo Estado, três assassinatos foram cometidos por armas brancas, quatro por armas de fogo e outros três por outros objetos.

Proporcionalmente, há maior quantidade de mulheres entre as vítimas, o que indica forte incidência de crimes passionais. "O crescimento no centro foi significativo e agora é preciso intensificar as abordagens. Também vamos analisar o modus operandi e os boletins de ocorrência para reverter a tendência", diz o coronel Renato Cerqueira Campos, comandante do Policiamento do Centro.

Cerqueira afirma ainda que o combate ao crime contra o patrimônio vai continuar na região central. Os roubos nos distritos policiais da Seccional Centro acompanharam a tendência de queda do restante da cidade. Em todo caso, a região do Brás, onde ocorre a Feira da Madrugada, vai ser o foco principal das blitze policiais.

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