Ernesto Rodrigues/AE
Ernesto Rodrigues/AE

Taxa da inspeção não terá valor fixo

No ano que vem, empresas que oferecerem o serviço poderão cobrar o que quiserem pela vistoria e baixar o preço para atrair a clientela

Adriana Ferraz e Bruno Ribeiro,

21 Março 2013 | 09h17

A inspeção veicular em São Paulo não terá mais um valor fixo. A partir do próximo ano, quando a Prefeitura pretende já ter rescindido contrato com a Controlar, mais empresas poderão oferecer o serviço e aplicar taxas distintas para atrair a clientela.

A intenção é justamente reduzir o preço pago atualmente pelo serviço, de R$ 47,44, e consequentemente o custo que a nova política dará aos cofres públicos. Ao isentar parte dos motoristas, a estimativa é de que a Prefeitura terá de desembolsar cerca de R$ 150 milhões por ano.

O prefeito Fernando Haddad (PT) deve sancionar a lei nos próximos dias e estabelecer na regulamentação do projeto aprovado ontem na Câmara Municipal um teto único. "Caberá ao Executivo definir o preço máximo e a forma de pagamento."

Neste ano, as normas permanecem as mesmas. Todos os carros emplacados na capital continuam obrigados a passar pela inspeção e pagar a taxa. A diferença é que agora os motoristas que tiverem os veículos aprovados poderão pedir reembolso - desde que não tenham dívidas com o Município. A solicitação deverá ser feita à Secretaria do Verde e Meio Ambiente - mas ainda não está definido se o pedido terá de ser pessoal ou online.

Com a possível quebra do contrato firmado com a Controlar, o serviço deixará de ser uma concessão. O governo trocará o modelo por uma rede credenciada. Até o fim do ano será lançado um chamamento público destinado às empresas interessadas em participar. Para evitar polêmicas e irregularidades, como venda casada, Haddad deve proibir a participação de oficinas mecânicas.

Segundo informou anteontem o secretário municipal do Verde e Meio Ambiente, Ricardo Teixeira (PV), a pasta vai estabelecer um marco regulatório a ser usado no credenciamento. Nesse processo, será definido quantos funcionários cada empresa terá de ter, assim como o espaço físico e o maquinário.

Pré-inspeção

A reportagem procurou oficinas mecânicas que já fazem a pré-inspeção veicular para ver os principais problemas encontrados. Hoje, esse serviço é ofertado principalmente para carros que já passaram pela vistoria oficial e foram reprovados, mas também pode ser contratado por motoristas que ainda vão fazer a inspeção.

Nenhuma das oito oficinas procuradas por telefone cobrou para passar o veículo na vistoria. O que é cobrado são os reparos que precisam ser feitos nos carros, segundo a avaliação dos mecânicos - uma espécie de venda casada, em que a vistoria é gratuita, mas a manutenção não. "Eu não gasto nada para passar o carro na máquina (o medidor de poluentes) nem para ver se tem vazamentos. Se passa, fica por isso mesmo. Se não passa, vejo o que está acontecendo, faço o reparo e até levo o carro na Controlar", disse um dos mecânicos, sem saber que falava com um repórter.

Segundo essas oficinas, os problemas mais comuns estão relacionados ao sistema de injeção eletrônica. Os consertos variam entre R$ 150 e R$ 220, dependendo da marca e do modelo do carro. Mas também é corriqueiro, segundo esses mecânicos, que peças como mangueiras, velas ou bombas de combustível precisem ser trocadas.

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