NILTON FUKUDA/ESTADÃO
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Secretário obriga clube a construir ciclovia na zona sul de São Paulo

Agremiação localizada em reduto eleitoral de Jilmar Tatto, dos Transportes, também terá que reformar rede semafórica

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

21 de outubro de 2015 | 13h24

SÃO PAULO - Para atingir os 400 quilômetros de ciclovias prometidos no Plano de Metas (até agora a cidade tem 260,4), a Prefeitura obrigou o Clube de Campo São Paulo, na Cidade Dutra, zonal sul de São Paulo, a fazer 2,5 quilômetros de ciclovias como compensação aos impactos no trânsito da região. A decisão foi publicada no Diário Oficial da Cidade desta quarta-feira, 21. Segundo a Secretaria Municipal de Transportes, a infraestrutura deve estar pronta em 240 dias. 

A agremiação está localizada no reduto eleitoral do secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto (PT), área conhecida como “Tattolândia” entre os moradores da região e vereadores paulistanos. A pista para bikes vai ligar a Avenida Senador Teotônio Vilela, um dos viários mais importantes da região, e a Rua Frederico René de Jaegher.

Além das faixas para bicicletas, o clube também será responsável pela instalação de uma rede semafórica. De acordo com a publicação, nove equipamentos das Avenidas Atlântica e Senador Teotônio Vilela serão substituídos por modelos novos. Os projetos da ciclovia e da sinalização serão fornecidos pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). 

Não é a primeira vez que a gestão Fernando Haddad (PT) transfere para a iniciativa privada a responsabilidade de fazer ciclovias e ajudar a administração municipal a cumprir o Plano de Metas. Em setembro, Tatto já tinha obrigado uma construtora a construir ciclovias na Avenida Pacaembu e a da Rua da Consolação como compensação aos impactos de trânsito que um prédio de 470 apartamentos, com até duas vagas na garagem, irá causar no trânsito da região quando for inaugurado, em maio de 2016.

Mas a medida de repassar a responsabilidade de políticas públicas não é inédita e começou na gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD). A construtora WTorre, por exemplo, teve que realizar uma contrapartida para tornar legal o Shopping JK, em Cidade Jardim, área nobre da zona sul da capital.

A empresa construiu um viaduto interligando a Avenida Juscelino Kubitschek às pistas expressas da Marginal do Pinheiros. Depois, já durante o governo Haddad, a construtora entregou uma ciclopassarela entre o Parque do Povo e a ciclovia paralela à Linha 9-Esmeralda da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). 

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