Tatto diz que não vai rever trajeto de ciclovia na zona sul de SP

Alterado pela gestão Haddad (PT), Projeto original previa equipamento na frente de imóveis de parentes do secretário

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Por Felipe Resk
Atualização:
Clube terá que fazer pista como contrapartida aos impactos causados pela agremiação na zona sul de São Paulo Foto: NILTON FUKUDA/ESTADÃO

SÃO PAULO - O secretário Municipal de Transportes, Jilmar Tatto, afirmou que não vai rever o trajeto de uma ciclovia em Santo Amaro, na zona sul, que deixou de passar em frente a imóveis da sua família após ter o projeto original alterado. Em entrevista ao Estado, Tatto disse não interferir na escolha dos locais com faixas exclusivas para bicicletas e que a implantação seguem critérios técnicos da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

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Segundo informou o jornal Folha de S. Paulo nesta sexta-feira, 18, a gestão Fernando Haddad (PT) abandonou o projeto, iniciado em 2006, de uma ciclovia de 2 km em linha reta para, em seu lugar, implantar um equipamento duas quadras abaixo, com remendos e curvas que obrigam o ciclista a pedalar em zigue-zague entre carros. A mudança, feita no ano passado, evitou que a ciclovia passasse por cinco imóveis de sobrinhos e irmãos de Jilmar Tatto, que acumula o cargo de presidente da CET.

Tatto, no entanto, nega que a troca tenha sido motivada por questões políticas e afirma desconhecer o projeto de 2006. "Eu nunca conversei com meus familiares sobre o assunto", disse. Segundo o secretário, a ciclovia em Santo Amaro foi alterada por decisão da CET, para priorizar interligações com outros modais de transportes. "A mudança permitiu ligar a ciclovia com a estação Granja Julieta, da CPTM. Se fosse em linha reta, não seria possível", afirmou. "O critério para a instalação foi técnico. Não vou rever o projeto por causa da matéria."

Ainda segundo Tatto, ele não é responsável por escolher os locais que recebem o equipamento. As decisões ficariam a cargo da equipe técnica da CET. "Eu só coordeno o trabalho. Eles não me perguntam onde pode e onde não pode construir", afirmou.

Um dos argumentos do secretário de Transportes é que uma faixa para bicicletas foi instalada na frente do prédio onde mora, na Vila Mariana, também na zona sul. "Há mais de 200 moradores no prédio. Eu sou entusiasta da ciclovia, mas nem todos são. Tem gente que gostaria de estacionar o carro na frente, mas não pode", disse. "Eu também não fui consultado pelos técnicos para instalar lá." Contatados por telefone, moradores do prédio confirmam existência da ciclovia, que também aparece no mapa de Infraestrutura Cicloviária Permanente da CET. 

O argumento também foi usado pelo prefeito Fernando Haddad, após ser questionado sobre os critérios técnicos para a mudança no traçado da ciclovia em Santo Amaro. "Foi a mesma justificativa técnica para passar uma ciclovia na porta do secretário Tatto", disse. "Não entendi a insinuação." "A CET que toma esse tipo de decisão, jamais uma decisão como essa seria de natureza política até porque não se sustenta." 

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