Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Notas dos ônibus continuam abaixo da média, mostra pesquisa

Secretário dos Transportes afirma que ônibus não tem capacidade para resolver problemas de mobilidade sem rede metroviária

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

22 de setembro de 2015 | 12h52

Atualizada às 23h24

SÃO PAULO - A pesquisa divulgada nesta terça-feira, 22, mostra que 8 de 10 notas que a população dá ao sistema de transporte coletivo da cidade melhoraram, mas ainda estão distantes do que é considerada a média - nota 5,5, em uma escala de 1 a 10. Duas tiveram queda em relação à pesquisa divulgada no ano passado. Mesmo no indicativo mais bem avaliado, “limpeza e conservação”, apenas 13% da população dá nota boa para o serviço. 

As pioras são nos quesitos “lotação”, que caiu de nota 3,4, no ano passado, para 2,8 neste ano, e “preço da passagem”, que foi de nota 4,6, em 2014, para 3,3 agora. A passagem de ônibus subiu, em janeiro, de R$ 3 para R$ 3,50.

Entre os indicadores que tiveram melhora estão “limpeza e conservação”, que passou de 4,8, no ano passado, para 5,4 neste ano; “cordialidade e respeito entre motoristas”, de 4,7 para 5,1; e “tempo de duração de viagem”, que foi de 4,2, no ano passado, para nota 4,7 em 2015.

A Prefeitura promete lançar, nos próximos dias, uma nova licitação para mudar todas as empresas de ônibus da cidade.

Ao comentar as notas, o secretário de Transportes, Jilmar Tatto, culpou a falta de linhas de metrô, que é de responsabilidade estadual.“Do ponto de vista do conforto do usuário, (o que temos) é fazer com que ele fique menos tempo dentro no ônibus. Por que o ônibus está lotado? Por causa do metrô. O ônibus não consegue mais (atender à demanda). Em horários de pico, você tem ônibus de três em três minutos. Não adianta pôr mais ônibus. O viário não comporta.” 

O Metrô, por meio de nota, disse que o secretário estava “mal informado”, uma vez que a pesquisa não avalia “transporte por trilhos”. A empresa citou outro estudo, da Agência Nacional de Transporte Público (ANTP), que apontou que 64% dos paulistanos citam o metrô como melhor meio de transporte.

GCM. A gestão Haddad quer ampliar a fiscalização da Guarda Civil Metropolitana (GCM). Ele quer que a GCM multe motoristas alcoolizados. Foi enviada uma minuta ao governo do Estado solicitando o convênio. O Departamento Estadual de Trânsito (Detran) disser ser “a favor de iniciativas que ampliem a fiscalização”.

A diferença de oito minutos no tempo de deslocamentos diários entre o usuário de carro e o de transporte público, apontada na pesquisa, foi o que mais chamou a atenção de Tatto, que defendeu a maior adesão aos coletivos.

"Essa diferença (de oito minutos) eu deposito principalmente à instalação de faixas exclusivas de ônibus. São quase 500 quilômetros que foram feitos na cidade", afirmou.

Resposta. Em nota, a assessoria de imprensa do Metrô afirmou que "o secretário municipal dos transportes Jilmar Tatto parece estar mal informado em relação à avaliação do Metrô pela população de São Paulo. A Pesquisa de Mobilidade Urbana divulgada nesta terça pela Nossa São Paulo, feita pelo Ibope, não traz qualquer avaliação do transporte sobre trilhos". 

Ainda segundo a companhia, um "levantamento recente da ANTP (Agência Nacional de Transportes Públicos) revelou que os ônibus da capital continuam com a pior avaliação entre os principais meios de transporte. Já a pesquisa do Datafolha (de maio/2015) aponta que o Metrô foi escolhido por 64% dos paulistanos como o melhor meio de transporte em São Paulo". COLABOROU/RAFAEL ITALIANI


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