Tarso não vai interferir nas negociações da Polícia Civil de SP

Ministro da Justiça se reuniu com representantes de seis centrais sindicais para falar sobre a greve dos policiais

Vannildo Mendes, de O Estado de S.Paulo,

21 de outubro de 2008 | 19h19

Reunido com representantes de seis centrais sindicais, o ministro da Justiça, Tarso Genro, reconheceu a legitimidade do movimento reivindicativo dos policiais civis de São Paulo, disse que não iria interferir na crise para não criar uma "fricção" federativa, mas prometeu se empenhar em três tarefas: tentar agendar com o governador José Serra (PSDB) uma mesa de negociações para o próximo dia 29; acelerar no Congresso Nacional a votação do projeto com o plano de carreira das polícias; e finalizar as negociações para fechar uma proposta de projeto de lei para criar a aposentadoria especial dos policiais.   A greve da Polícia Civil de São Paulo já dura 37 dias, resultando em um confronto entre policiais civis e militares na última quinta-feira, com 29 feridos, nas proximidades do Palácio dos Bandeirantes. O risco de radicalização do movimento foi relatado nesta terça-feira, 21, ao ministro por dirigentes de seis centrais sindicais e representantes da categoria.    Veja também: Governo eleva proposta para policiais após confronto em SP 'Teve policial atirando contra o Palácio dos Bandeirantes', conta o jornalista Marcelo Godoy  Galeria de fotos do conflito no Morumbi Policiais civis e militares entram em confronto em SP; assista  'PM tem obrigação de manter a ordem', diz José Serra  Manifestação de Polícia Civil foi feita por "minoria", diz Marrey Paulo Pereira da Silva diz que José Serra não está aberto ao diálogo  Antes da manifestação, Serra disse que 'não negocia com greve' Todas as notícias sobre a greve       Os policiais se queixaram de que recebem os salários mais baixos do Brasil, com piso de R$ 2.300, e que estão sem reajuste há 14 anos. Alegaram também intransigência do governo, que se recusaria a negociar desde janeiro, e acusaram Serra de "truculência". O presidente da Força, Paulo Pereira da Silva, botou sobre a mesa do ministro cartuchos de balas de verdade, que ele disse terem sido disparados durante o confronto entre policiais civis e militares.   Investigado pela Polícia Federal na Operação Santa Tereza, por suposto desvio de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) destinados a prefeituras e empresas, Paulinho é acusado pelo governador de politizar o movimento para tirar dividendos na eleição municipal. O deputado apóia a candidata do PT, Marta Suplicy. Paulinho negou a acusação e disse que é seu dever, como dirigente sindical, apoiar movimentos justos de trabalhadores.   Tarso disse que só se manifestaria sobre a crise paulista se o governador Serra pedisse. "Só vou me manifestar se o governo do Estado pedir minha opinião. Do contrário, meu contato não seria bem recebido", disse ao final da reunião com os sindicalistas. Avaliou que uma intervenção federal, medida que só pode ser requerida pelo Ministério Público diante de grave ameaça à ordem, está inteiramente fora de cogitação.   O ministro foi avisado de que a nova proposta para fim da greve, enviada ontem pelo governador à Assembléia Legislativa paulista, deve ser rejeitada e que o movimento será ampliado com novas manifestações com potencial de conflito. Mas o que deixou o ministro preocupado foi o risco de que a PM paulista, proibida por lei de fazer greve, venha a aderir à paralisação. O movimento tem o apoio da CUT, Força, Nova Central, UGT, CGTB e CTB.   Os sindicalistas disseram ao ministro que vários tiros de balas reais (sem ser de borracha) foram disparados, mas apenas um teria ferido alguém, o coronel PM Danilo Antão Fernandes, um dos comandantes da repressão aos grevistas. O tiro, segundo o deputado Major Olímpio (PV-SP), que é militar e da base de Serra, teria entrado pela virilha do coronel e se alojado nos rins, depois de passar perto de uma artéria.   "Esperávamos uma ação mais efetiva do ministro para pôr fim ao impasse e abrir já um canal de negociação porque o governador está irredutível", lamentou o presidente do Sindicato dos Investigadores de Polícia, João Batista Rebouças. Para o governador, segundo Rebouças, todo movimento de trabalhador é político e essa seria a forma de Serra fugir às suas responsabilidades.   "A greve continua", avisou, referindo-se à nova proposta do governo paulista de 6,5% de reajuste em 2009, cumulativo com mais 6,5% em 2010. A categoria pede 15% já, mais 12% em 2009 e 12% em 2010. "A proposta é insuficiente e a base vem se manifestando pela rejeição", acrescentou. Ele disse que a proposta será votada em assembléia a ser convocada ainda nesta quarta ou quinta-feira.   Atualizado às 20h32

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