Sérgio Castro/Estadão
Sérgio Castro/Estadão

Tarifa de ônibus impede metade dos paulistanos de visitar amigos, diz pesquisa

Levantamento do Ibope mostra ainda que 56% são favoráveis ao aumento da velocidade nas Marginais

Juliana Diógenes, O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2017 | 10h33
Atualizado 20 Setembro 2017 | 13h21

SÃO PAULO - Metade dos paulistanos (52%) afirma que "sempre" ou "às vezes" deixa de visitar amigos ou familiares que moram em outros bairros da capital em função do preço da passagem. O resultado faz parte da Pesquisa de Mobilidade Urbana, que revela a percepção do residente da capital paulista sobre a cidade. A tarifa do transporte público em São Paulo hoje é de R$ 3,80. 

O mesmo porcentual (52%) declara ainda que deixa de ir a parques, cinemas e outras atividades de lazer; 42% não vão a consultas médicas e exames, e 28% deixam de ir à escola ou à universidade.

A economia proporcionada pelo bilhete único é, no entanto, a principal razão de uso (23%) entre quem utiliza o ônibus pelo menos uma vez por semana. Com o cartão, os passageiros podem embarcar em até quatro coletivos em um período de três horas, pagando apenas uma tarifa.

Em seguida, os motivos que mais levam os paulistanos a usar os ônibus são "a melhor alternativa para o trajeto que precisa fazer" (18%) e "não possuir carro" (17%).

A Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes, por meio da São Paulo Transporte (SPTrans), informou, em nota, que a política tarifária na atual administração priorizou o congelamento do valor da passagem. "Mesmo na crise, foi feito um grande esforço para manter a tarifa básica em R$ 3,80 e, desse modo, não penalizar o usuário em meio ao cenário de desemprego e crise econômica no País", declarou. 

O levantamento é do Ibope, realizado por encomenda da Rede Nossa São Paulo e do projeto Cidade dos Sonhos, e foi divulgado nesta quarta-feira, 20. Realizado entre os dias 27 de agosto e 11 de setembro, com 1.603 moradores da cidade de São Paulo com 16 anos ou mais, o estudo tem margem de erro de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos. 

O nível de satisfação com a locomoção da cidade piorou em todos os itens, contrariando uma tendência de melhora que vinha sendo registrada desde 2008. A pior nota é para a "situação do trânsito na cidade", que caiu de 3,2 para 2,7 - em uma escala de 1 (péssimo) a 10 (ótimo).

Acidentes e Marginais

A pesquisa mostrou que 56% dos paulistanos são favoráveis ao aumento das velocidades máximas nas Marginais do Tietê e do Pinheiros - uma das primeiras medidas do prefeito João Doria (PSDB) quando assumiu o Executivo municipal. 

Porém, 40% declaram que a medida "contribui muito" para os acidentes de trânsito envolvendo motoristas e motociclistas; 37% dizem que o aumento "contribui muito" para atropelamentos de pedestres e ciclistas; e 37% afirmam que "contribui muito" para as mortes no trânsito em geral. 

Bilhete único

Esta é a 11ª edição da Pesquisa de Mobilidade Urbana que, entre as novidades, acrescentou perguntas relacionadas ao assédio sexual no transporte público, à retirada de cobradores dos coletivos e à privatização do bilhete único, proposta do prefeito João Doria (PSDB). 

Entre os paulistanos entrevistados na pesquisa, 61% desaprovam a privatização do bilhete único. A medida integra o pacote de privatizações do tucano, que em julho foi aprovado em primeira votação na Câmara Municipal de São Paulo.

O prefeito também pretende retirar dos ônibus os cobradores, chegando a afirmar que o processo será feito "gradualmente". O levantamento do Ibope aponta, no entanto, que 75% das pessoas são contrárias à proposta.

Assédio

Em uma escala de 1 (péssimo) a 10 (ótimo), a nota para segurança no ônibus foi de 2,6. Os usuários avaliam como principais problemas dos ônibus municipais a lotação (23%), o preço da tarifa (20%), a segurança com relação a furtos e roubos (11%), a frequência do ônibus (9%), a segurança com relação ao assédio e a pontualidade dos ônibus (ambos com 7% das citações).

A SPTrans ressaltou que ainda não teve acesso aos dados e à metodologia da pesquisa e disse que a gestão está está concluindo a elaboração do edital para lançar a nova licitação do sistema de transporte coletivo.

"No documento estarão incluídas atualizações para itens de segurança e conforto, bem como a adoção de tecnologias e equipamentos que tornarão as viagens mais confortáveis como ar-condicionado nos ônibus", afirmou a autarquia. /COLABOROU FELIPE CORDEIRO

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