Tarifa de ônibus em Campinas passa ser a mais cara do País

Preço da passagem subiu de R$ 3,00 para R$ 3,30; prefeito afirma que foi levado em conta aumento de insumos, como o reajuste de salário dos motoristas

Ricardo Brandt, de O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2012 | 18h23

A costureira Cristina de Freitas, de 42 anos, levou um susto quando pagou a passagem do ônibus na catraca na manhã desta segunda-feira, 3, em Campinas. A tarifa de ônibus na maior cidade do interior de São Paulo, passou a ser a mais cara do Brasil neste domingo, 2. O preço subiu de R$ 3,00 para R$ 3,30 - acima até mesmo do valor pago nas maiores capitais brasileiras.

Em São Paulo, por exemplo, o preço da passagem de ônibus é de R$ 3,00, no Rio de Janeiro, R$ 2,75, em Belo Horizonte, R$ 2,65. A prefeitura de Campinas concedeu o aumento de 10% para as empresas de ônibus, além de aumentar o subsídio pago às operadores do sistema de R$ 28 milhões para R$ 40 milhões.

"Acho um absurdo um preço desse. Assim, logo vai ser mais vantagem a gente pagar taxi na cidade, do que andar de ônibus", criticou a costureira, pega de surpresa pelo aumento. As empresas de ônibus apresentaram uma proposta para a prefeitura para que a tarifa fosse reajustada para R$ 3,80 - o equivalente a 27% de aumento.

O prefeito de Campinas, Pedro Serafim (PDT), autorizou o aumento e ressaltou, em nota, que o percentual é inferior ao aumento no custo de operação do sistema. Segundo a Empresa de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), esse susto operacional teria elevado 12,39% no período. A prefeitura ressalta ainda foram considerados os aumentos dos insumos, como os salários dos motoristas (11,73%).

Circulam pelo sistema de ônibus de Campinas cerca de 600 mil passageiros por dia. A Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Campinas (Transurc) alegou que a necessidade de aumento se deve ao equilíbrio econômico e financeiro do contrato.

"Entre vários fatores, o índice de pessoas que não pagam passagem em Campinas é alto. Cerca de 28% das pessoas que andam de ônibus não pagam passagem na cidade, por causa das gratuidades, com idosos, deficientes e estudantes, e principalmente pelo sistema de integração do bilhete unico", explicou o diretor de Comunicação da Transurc, Paulo Barddal.

As empresas de ônibus, que têm cerca de 1 mil veículos dos cerca de 1,3 mil que compõem o sistema, atribuem, entre outros fatores, o alto custo das despesas com salários para justificar o preço. Cerca de 50% da composição de gastos na planilha que calcula o valor a ser cobrado na tarifa são dos salários, encargos e benefícios.

Em Campinas, um motorista recebe um salário de R$ 1.728,40. Em São Paulo, o salário é de R$ 1.776,60, no Rio, R$ 1.618,06, e em Belo Horizonte, R$ 1.481,48, segundo dados da Transurc. Outro fator que diferencia o valor da tarifa local da de São Paulo são os subsídios.

"Desde 2010 o subsídio pago pela prefeitura é de R$ 28 milhões. Em São Paulo, era de R$ 400 milhões e esse ano foi de R$ 880 milhões", explica o diretor.

"Em Campinas, ao longo dos anos, tem crescido muito a integração, mas o número de passageiros pagantes tem permanecido estagnado. Quem paga a passagem, vai pagar mais caro, porque muita gente fica de fora do computo na hora do cálculo. Tudo isso influência no custo da passagem", afirma Barddal.

Para o aposentado Pedro Dório Santos, de 54 anos, por esse preço, os serviços deveriam ser de primeiro mundo, ironiza. "Pagamos um preço que não se justifica. O transporte tem que ser público, acessível ao público. Não algo para poucos", criticou.

Protestos. Cerca de cem estudantes realizaram uma manifestação no centro de Campinas, no fim da tarde desta segunda-feira, 3, contra o aumento do valor da passagem de ônibus, que subiu de R$ 3,00 para R$ 3,30, neste domingo. Os estudantes se reuniram nas escadarias do Paço e seguiram em passeata até o terminal central. Eles taxaram o aumento de abusivo e recolheram assinaturas de usuários do transporte coletivo, para um abaixo assinado contra o reajuste de 10%.

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