TAM promete pagar DNA para apressar reconhecimento

Até agora, o Instituto Médico Legal já conseguiu identificar 39 vítimas do acidente

Arthur Guimarães, Jornal da Tarde

20 de julho de 2007 | 20h55

Em uma reunião de três horas, recheadas de desabafos emocionados, reclamações e aplausos a críticas ao governo federal, os parentes das vítimas do acidente da TAM ouviram, no final da tarde desta sexta-feira, do presidente da companhia, Marco Antonio Bologna, e de representantes da seguradora AIG Unibanco, que será disponibilizada verba para cobrir despesas de primeiras necessidades das famílias e também para pagar exames imediatos de DNA - ação que deve encurtar o sofrido trabalho de recuperação dos corpos. O publicitário Ari Piestun, que perdeu a esposa Jaqueline na terça-feira, contou na porta do hotel Blue Three, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, onde o encontro foi organizado, que houve uma grande pressão sobre Bologna. "O presidente da empresa não estava sabendo como as pessoas estão sendo tratadas. Acho que com informações protocolares seria bem recebido. Mas, as pessoas não estão tendo atendimento digno e suficiente. Ele foi massacrado, porque não conhecia a realidade dos fatos", disse o parente. Segundo ele, os presentes deram indícios da falta de organização ao presidente da empresa aérea, como por exemplo a falta de informações em primeira mão e o apontado péssimo atendimento que foi recebido pelos parentes das vítimas, logo após o acidente, no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre. Apesar do clima tenso, Ari disse que perguntou pessoalmente a Bologna se seria possível haver um financiamento, por parte da empresa, dos exames de DNA. "Eu coloquei essa questão, que disponibilizará a verba para o DNA imediatamente. Ouvi da boca do presidente da TAM e espero que seja cumprido." Em nenhum momento o presidente da companhia aérea pediu desculpas ou apontou culpados para o episódio trágico, sempre garantindo que o Airbus A320 tinha condições de voar na tarde de terça-feira.  Outro familiar de vítima de acidente da TAM que esteve no encontro, Augusto dos Santos, 23 anos, disse que faltou verdade nas palavras de Bologna. "Até hoje ninguém ligou para a minha família. O que é o oposto do que a TAM afirma à imprensa." Segundo ele, em alguns momentos o clima esquentou na sala de reuniões. "Tentaram ir para cima, falavam que ele merecia receber pedras, mas no final tudo até que terminou razoavelmente bem", revelou ele, que perdeu o primo Ésio Freitas, no episódio de terça-feira.

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