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Tablets indicam a policiais onde ocorrem os crimes

Com a nova tecnologia, as Polícias Civil e Militar de São Paulo podem visualizar as ações cometidas nas áreas onde atuam

Lourival Sant'Anna, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2013 | 21h57

Com um ou dois cliques nos tablets das viaturas da Polícia Militar ou nos computadores das delegacias, os policiais de São Paulo podem agora visualizar os crimes cometidos nas áreas em que eles atuam - ou em qualquer outra do Estado.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) implementou o sistema e está treinando os policiais no seu uso. A ferramenta permitirá cobrar resultados no combate ao crime de forma muito mais concreta - e livre de tergiversações - do que antes e representa um incremento na ênfase na inteligência e na gestão.

Ao contrário do que o nome comprido sugere, o Relatório Analítico Gerencial de Segurança Pública (Regisp) veio simplificar a vida de policiais, delegados e oficiais da PM que queiram saber o que, quando e exatamente onde está acontecendo na sua área. O que ficará mais difícil será explicar por que em determinada rua não havia policiamento em certa hora que o sistema já tiver mostrado ser de maior incidência dos crimes.

Os dados, baseados nos boletins de ocorrência e nos registros do Copom, a central de ligações da PM, já estavam disponíveis, por meio do Infocrim, mas eles eram de acesso e leitura mais complicada. Geravam tabelas pouco amigáveis para quem não é versado em estatística. Agora, o sistema produz mapas com cores, que vão do amarelo ao vermelho, de acordo com a incidência dos crimes.

Também há balões sobre cada rua, com o número de ocorrências dentro. Clicando nesses balões, o policial vê os detalhes de cada ocorrência. O Regisp é restrito à intranet da SSP.

Em média, o sistema recebe 170 mil ocorrências por mês - ou quase 6 mil por dia, em todo o Estado de São Paulo. Por enquanto, carregará as ocorrências mensalmente. Mas, de acordo com o promotor Fábio Bechara, coordenador do Centro Integrado de Inteligência de Segurança Pública (Ciisp), mais adiante será lançada uma nova versão, em que os dados estarão disponíveis de forma diária. Com isso, o usuário poderá pesquisar os crimes pelo período que escolher, e não necessariamente por mês.

Precariedade. Atualmente, os bancos de dados das polícias civil e militar não conversam entre si. Além da precariedade operacional que isso acarreta, já que o que uma polícia sabe a respeito de um mesmo crime pode ser desconhecido da outra, obriga a Coordenação de Análise e Planejamento (CAP) a cotejar as ocorrências registradas por ambas, para eliminar duplicidades ou incongruências do tipo incluir uma tentativa de homicídio que mais tarde resultou em homicídio.

O secretário Fernando Grella disse ao Estado que os bancos de dados serão unificados dentro de um a dois meses. "A questão-chave da Segurança Pública é gestão", avalia ele.

"O Regisp introduz uma cultura de planejamento padronizado", acrescenta Bechara, que antes integrou o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual. "O Estado inteiro passa a trabalhar com a mesma ferramenta. Elimina a pessoalidade, o voluntarismo - ou a ausência dele."

Bechara e um oficial da inteligência da Polícia Militar mostraram o Regisp para o Estado, em um telão diante de uma mesa com 18 cadeiras, na mesma sala em que Grella tem apresentado a ferramenta a delegados seccionais e a coronéis comandantes de batalhões.

As reuniões terão uma periodicidade de 45 dias. Nas próximas, em vez de ver como funciona, os delegados e coronéis terão de começar a prestar contas a respeito das taxas de crimes nas regiões de seus comandos, promete a secretaria.

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