Suspensão de mudanças no Campo de Marte é decisão política

Para evitar polêmica eleitoral, Infraero e Ministério de Defesa voltaram atrás após reclamação do prefeito de SP

Christiane Samarco, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2008 | 19h50

Foi política a decisão de suspender as obras do plano de expansão e melhoria do Aeroporto Campo de Marte, na zona norte de São Paulo. Diante das críticas do prefeito da capital, Gilberto Kassab (DEM), que além de questionar a ampliação de um aeroporto que fica dentro da cidade reclamou por não ter sido consultado sobre o projeto, o Ministério da Defesa e a Infraero decidiram "reavaliar" a reforma para evitar que as obras se transformem em polêmica de campanha eleitoral. Veja também:Movimento no Campo de Marte cresce 30% após crise aéreaConfira imagens da história do aeroporto    Ao tomar conhecimento das queixas públicas do prefeito, o presidente da Infraero, Sérgio Gaudenzi, procurou o ministro da Defesa, Nelson Jobim, com uma proposta: suspender a execução do projeto já previsto no Programa Geral de Obras e Serviços de Engenharia (PGOSE) da empresa, a um custo global de R$ 16 milhões. Gaudenzi e Jobim avaliaram, então, que somente a construção da nova torre de controle do aeroporto deveria ser mantida, para aperfeiçoar a segurança de vôo no terminal. "O ministro Jobim e eu entendemos que a torre é uma questão de segurança e que não podemos brincar com isto, já que o Campo de Marte é um dos aeroportos mais movimentados do País", relata o presidente da Infraero, certo de que, ampliando ou não o aeroporto, a nova torre é necessária. Gaudenzi explica, no entanto, que não se trata apenas de suspender as obras. Lembra que o prefeito pediu para ver o projeto, e que tanto ele quanto o ministro Jobim não têm qualquer dificuldade em discutir o assunto com Kassab. O presidente da Infraero reconhece que um "equipamento" tão usado como o Campo de Marte - o quinto do País em operação - interfere na dinâmica da cidade. Exatamente por isto, avalia que o mais prudente é realmente parar a obra, embora parte dela já tenha sido licitada. "Se o prefeito quer debater o assunto com a sociedade, tudo bem. Não tem problema nenhum. Vamos fazer uma reavaliação geral do projeto e o prefeito terá a oportunidade de opinar, dar suas sugestões e levá-las à comunidade", insiste.

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