Suspeitos de assalto em Guarulhos reclamam de tortura

Uma das nove pessoas detidas na sexta-feira foi liberada nesta madrugada com a cabeça enfaixada

Daniela do Canto, de O Estado de S. Paulo, e Josmar Jozino, do Jornal da Tarde,

08 de novembro de 2008 | 15h40

Pelo menos nove pessoas foram detidas sob suspeita de terem participado do assalto em Guarulhos que terminou com três mortos e 12 feridos, mas apenas duas delas continuavam detidas até a manhã deste sábado, 8. Um deles é Elielton Aparecido da Silva, de 32 anos - que durante a fuga invadiu uma casa no Tremembé e depois se rendeu. O outro preso é Cláudio Roberto Zanetti, de 26 anos. Veja também:Assalto e perseguição na Grande São Paulo deixam três mortos À 0h55 deste sábado, o primeiro averiguado, Adriano França dos Santos, de 18 anos, foi liberado. Ele estava com o olho direito roxo, a cabeça enfaixada, a boca cortada, com ferimentos abaixo do olho esquerdo e pelo menos quatro dentes quebrados. Santos não quis conversar com a imprensa. Ao ser questionado se teria apanhado dos policiais, disse apenas que foi "atropelado na fuga". Seu pai, o carteiro Ailton Souza dos Santos, de 37 anos, disse no entanto que o jovem pode ter sido espancado por policiais. Os dois foram ao Hospital São Camilo para fazer exames. "Ele fez tomografia e agora vai ter de fazer implante dos dentes", disse Ailton. "Os dentes ele perdeu quando foi atropelado. Aí ele foi levado para o hospital e, como tem tatuagens, acharam que o meu filho podia ser um dos criminosos. Quando chegou na delegacia, ele apanhou, sim", disse Santos. "Os policiais torturaram para ele confessar alguma coisa. Deram uns murros na lateral, nas costelas, lugar onde não deixa marcas." Às 3h20, outros cinco averiguados foram liberados. Um deles afirmou ter visto todos os detidos apanhando. "A PM bateu em todo mundo lá no 73º DP. Não apanhei porque consegui correr, mas teve gente que apanhou muito", contou o vidraceiro Rogério Alício, de 28 anos. Ele disse que estava na rua quando ouviu tiros e entrou em um bar para se esconder. Às 3h30, o último averiguado, Fernando Rodrigues de Oliveira, foi liberado. A Secretaria da Segurança Pública não comentou as acusações de tortura contra os policiais. As córneas do soldado da Polícia Militar Ailton Tadeu Lamas, morto na sexta-feira durante uma perseguição a bandidos que assaltaram um banco em Guarulhos, foram doadas por seu familiares. Nesta manhã, durante o velório no Hospital Militar na zona norte da capital, amigos e familiares de Lamas se cotizaram para confeccionar camisetas que seriam usadas durante o enterro, previsto para o final da tarde, no cemitério do Araçá. A sobrinha do policial, Domênica Miranda Duarte, de 25 anos, preparava a camiseta, que continha uma frase que falava de saudades e de amizade. "O sentimento da família inteira é de muita tristeza e de revolta. Ele era um herói para todos os colegas", disse. O filho de Lamas, Átila Lamas, muito abalado, disse que não conseguia expressar a dor e a revolta que todos estavam sentindo. O soldado era visto como um herói. Era chamado de "Rei do parto", por ter ajudado 14 mulheres a darem a luz. Na sexta-feira, quando morreu em ação, completava 22 anos de corporação. Alegre, adorava samba e animava as festas que participava. "Sempre que havia uma festa, ele estava lá fazendo o pagodinho dele", contou a sobrinha. A vítima de bala perdida, Leandro Rodrigues Marques, seria enterrado no Cemitério Municipal de Guarulhos, na Vila Rio de Janeiro. O corpo de Carlos Alberto da Silva, o Balengo, bandido morto, aguardava reconhecimento e liberação pela família no Instituto Médico-Legal. Balengo portava documentos falsos no assalto.  (com Gustavo Muller e Eduardo Reina, de O Estado de S. Paulo)

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