Suspeitos confessaram assassinato de dentista, diz polícia

Delegado geral afimou que os três presos disseram ter participado de crime em São Bernardo do Campo

André Cabette Fábio, O Estado de S. Paulo

27 de abril de 2013 | 17h00

O delegado geral da Polícia Civil, Luiz Maurício Blazeck, afirmou na tarde deste sábado, 27, que os três suspeitos presos na madrugada já confessaram participação na morte da dentista Cinthya Magaly Moutinho de Souza, de 47 anos, em São Bernardo do Campo, na quinta-feira, 25. Um adolescente de 17 anos é apontado como a pessoa que jogou álcool e ateou fogo na vítima em seu consultório.

"Todos confessaram a prática do crime em São Bernardo e outros", disse Blazeck em coletiva na sede da Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP), no centro da capital. Ainda de acordo com ele, os criminosos, antes de atearem fogo em Cinthya, a ameaçaram com um isqueiro eenquanto ela estava coberta de álcool, "para que ela cedesse bens de patrimônio". Ele ressaltou que um anel da dentista, encontrado na carteira de um dos apreendidos na ação policial não deixa dúvida de seu envolvimento no crime.

A polícia disse também que a vítima estava com as mãos amarradas por trás das costas, enquanto um dos suspeitos, Victor Miguel Souza Silva, de 24 anos, apontado como o líder do grupo, trocava o isqueiro com um adolescente que também participou do crime. "O jovem conta (o episódio) como se fosse o capítulo de uma novela", disse a delegada Elisabete Sato, diretora do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). Ela afirmou que ele completa 18 anos em junho.

Ainda segundo a delegada, quando o grupo recebeu a informação de que Cinthya tinha apenas R$ 30 em sua conta bancária, o adolescente ficou irritado e ateou fogo na vítima com o isqueiro. Ela definiu o jogo em que o isqueiro era passado entre os dois criminosos ameaçadoramente próximo à dentista coberta de álcool como "tortura".

Todos os suspeitos foram presos na Favela Santa Cruz, em Diadema, no ABC. Eles estavam em duas casas separadas por apenas 50 metros. Em uma delas, foi encontrado Victor com um adolescente que, segundo a polícia, lhe dava cobertura. Esse jovem, que tem 17 anos, não teria participado do assassinato. Mesmo assim, foi apreendido.

Victor foi preso em flagrante por porte de uma Taurus 380 cromada e com a identificação raspada. Policiais do 20° Distrito Policial, de Água Fria, apreenderam a arma numa mochila apreendida em sua casa. Em outra mochila, foram encontrados celulares, computadores, óculos de sol e um laptop. Segundo Elisabete Sato, os objetos coincidem com os registrados numa ocorrência no 83° DP.

Na outra casa, foi preso Jonatas Cassiano Araújo, de 21 anos, com outros dois adolescentes, ambos de 17 anos, um dos quais teria admitido atear fogo na vítima. As duas residências ficavam a cerca de 50 metros de distância uma da outra. Jonatas é apontado como aquele que ligou para os criminosos que mantinham Cinthya sob ameaça avisando que havia apenas R$ 30 em sua conta.

Segundo a delegada Elisabete Sato, os presos seriam usuários de cocaína. Ao menos dois dos jovens teriam registros de infrações em seus nomes.

Foragido. Um dos suspeitos de participar do crime, Thiago de Jesus Pereira, de 25 anos, que aparece num retrato falado usando um óculos branco, permanece foragido. Blazeck pediu a ajuda da população em sua captura. Ele é apontado como o "cavalo" da gangue, que na linguagem do crime é o responsável por providenciar a fuga dos criminosos.

Gangue. A polícia informou que o grupo foi identificado como responsável por crimes em clínicas em São Bernardo e na zona sul de São Paulo. Segundo Blazeck, eles podem ter participação entre 6 a 8 casos em clínicas. "Todos os indícios; modus operandi, características físicas, veículo, arma: tudo isso indica que podem ser os mesmos elementos".

Marcos Moura, titular do 83° DP afirmou que casos similares ocorreram nos dias 12 e 16 antes do assassinato. Ele afirma que um registro no 17° DP foi registrado o caso de duas dentistas em cujos cabelos dois jovens teriam "colocado o isqueiro". No evento, Victor Miguel teria preenchido uma ficha cadastral com suas informações e a jogado fora no lixo do próprio consultório.

Maioridade penal. O caso está sendo usado como argumento da campanha do governo Geraldo Alckmin pela redução da maioridade penal. Na coletiva de imprensa, repleta de autoridades da segurança pública de São Paulo, Elizabete Sato, do DHPP e o secretário estadual da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, defendeream reformas no sentido da diminuição da maioridade penal.

Na abertura da coletiva, Grella defendeu reformas na legislação por maior rigidez na punição de menores, em especial a proposta do Governador Geraldo Alckmin por uma mudança no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que amplie o período de internação de menores que cometem crimes graves.

"Temos uma legislação falha, que é bastante precária, e não podemos viver mais situações como essa o tempo todo deixando desprotegidos os cidadãos. É preciso que haja uma rigidez adequada da legislação”, afirmou.

Elizabete Sato destacou a frieza do adolescente acusado do assassinato e defendeu maior rigidez na punição de menores. "É uma reflexão que todos nós devemos nesse momento fazer. Até onde esses adolescentes com 17 anos de idade podem ter o direito de ceifar a vida de uma moça que é o esteio da família?".

 

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