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Suspeito teria pedido ao pai das irmãs mortas em Cunha para esconder arma

Pai de adolescentes prestou depoimento nesta quinta, 31; atitude de Ananias de Santos pode ter sido uma tentativa de incriminar o pai das vítimas

João Carlos de Faria, Especial para O Estado

31 Março 2011 | 18h45

TAUBATÉ - O pedreiro José Benedito de Oliveira, pai das garotas Josely Laurentino de Oliveira, 17 anos, e Juliana Vânia de Oliveira, 15 anos, encontradas mortas na última segunda-feira, 28, em Cunha, no Vale do Paraíba, contou à polícia, que o principal suspeito do crime, Ananias dos Santos, teria estado em sua casa um dia após o desaparecimento das irmãs, solicitando que ele guardasse uma arma. A atitude de Santos pode ter sido uma tentativa de incriminar o pai das vítimas, caso a arma fosse encontrada posteriormente em sua casa, explicou um investigador da Polícia Civil.

 

Segundo Oliveira, ele demonstrava muito nervosismo e pediu para esconder a arma num monte de lenha. "Disse a ele que fosse embora", afirmou o pedreiro.

 

A auxiliar de enfermagem que namorava o suspeito do duplo homicídio, disse em entrevista, que se arrepende de não ter avisado a polícia logo que recebeu um telefonema dele, também na quinta-feira, afirmando saber onde estavam os corpos. "Eu me arrependo amargamente", disse.

 

Uma irmã de Santos também foi entrevistada e disse que a "situação está muito difícil" e que a família não esperava "uma coisa dessas". O irmão, segundo ela, não comentou nada sobre o crime. "Não acredito que ele tenha feito isso. Se fez tem que ser castigado".

 

Ele cumpria pena no Presídio Edgar Magalhães Noronha, em Tremembé, mas fugiu depois de uma saída temporária de Páscoa, há dois anos e desde então, Ananias dos Santos passou a morar com os pais, no bairro do Jacui, mesmo bairro das adolescentes.

 

A polícia continua investigando o caso. Segundo um policial da delegacia seccional de Guaratinguetá, a equipe de investigação tem checado diversas pistas sobre o paradeiro de Santos, que foi incluído na lista dos 25 mais procurados do Estado, pela Secretaria de Segurança Pública. Entre cinco e dez denúncias anônimas têm sido feitas por dia na delegacia, dando pistas sobre o crime, incluindo alguns trotes.

 

Manifestação. A manifestação gigantesca, que tomou conta das ruas de Cunha na tarde dessa quinta-feira, foi algo inédito na cidade.

 

Estudantes vestidos com camisetas brancas e fotos das irmãs e pessoas de todas as idades acompanharam a caminhada que saiu do Alto do Cruzeiro e terminou na praça da igreja Matriz.

"Tinha mais gente que na festa do Divino", comentou um morador, se referindo a maior festa religiosa da cidade, que ocorre em maio. Dulce Maia, moradora da cidade há 18 anos e organizadora do protesto disse que a cidade precisa de mais policiamento.

 

"A população tem que agir, não pode ficar calada", disse. Além de autoridades locais, também apoiou a manifestação, a deputada Keiko Ota, mãe do garoto Ives Ota, assassinado em São Paulo, em 1997, então com 8 anos de idade. Ela defende a proposta de aumentar a pena máxima de 30 para 100 anos no Brasil.

 

Um abaixo assinado começou a circular entre a população pedindo aumento do efetivo, pois atualmente, o município que é um dos maiores do Estado em extensão territorial, conta apenas com 19 policiais militares.

 

A Prefeitura Municipal de Cunha e a Cunhatur, entidade que reúne os principais estabelecimentos de turismo da cidade, divulgaram nota lamentando "o crime bárbaro que chocou a comunidade de Cunha e de todo o Brasil nos últimos dias". Eles afirmam que o crime "não reflete a realidade da cidade", uma estância climática voltada para o turismo ecológico, tendo como sua principal arte a cerâmica artística.

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