Suspeito de matar jovem para roubar celular é detido

Universitário foi morto, sem nenhum sinal de resistência, na frente do prédio em que morava, a 200 metros da Estação Belém do Metrô

ANDRÉ CABETTE FÁBIO, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2013 | 02h11

O estudante Victor Hugo Deppman, de 19 anos, foi assassinado por um adolescente, sem oferecer resistência e por um celular, na frente do condomínio onde morava, a 200 metros do Metrô Belém, na zona leste de São Paulo. O crime ocorreu na noite de terça-feira e um suspeito foi apreendido ontem.

Aluno do 3.º ano de Rádio e TV da Faculdade Cásper Líbero, Deppman voltava de seu estágio na Rede TV! quando foi abordado, às 20h50. O assaltante tomou o iPhone e exigiu a mochila do estudante. Imagens das câmeras de vigilância do prédio do estudante mostram o assaltante puxando-a de suas costas.

Sem conseguir tirá-la, ele empurra o universitário, atira em sua cabeça e foge na direção da Avenida Elói Cerqueira. "O bandido não se preocupou em transformar um roubo de celular em latrocínio", afirmou, indignado, o tio de Victor, o representante comercial Demerval Riello, de 44 anos.

Primo da vítima, Eduardo Riello Pereira, de 20 anos, chegou rapidamente ao local e fez manobras de ressuscitação, de forma que o jovem voltou a respirar antes de ser levado pelo resgate para o Hospital Santa Virgínia, onde sofreu três ataques cardíacos e morreu por comprometimento neurológico extensivo.

Demerval Riello conta que, na última ligação que fez para a família, Victor parecia feliz. Ele avisava que tinha saído mais cedo do trabalho, já estava na Estação Santa Cecília do Metrô e chegaria em casa em 15 minutos. Riello contou que os pais de Victor, Marisa Rita Riello Deppman e José Valdir Deppman, ouviram o tiro do 9.º andar e pensaram que se tratava de uma bomba. Na sequência, foram avisados pelo interfone de que seu filho estava baleado, na entrada do prédio.

Insegurança. Vizinho da família Deppman, o administrador Mauro Cardoso, de 55 anos, afirmou que mora na região desde que nasceu e está preocupado com o crescimento na violência. Ele ressalta que seu filho foi criado com o estudante. "Assim que fiquei sabendo do que aconteceu, busquei meu filho na faculdade e não deixei ele sair de casa."

Jaqueline Bertholdo de Almeida Monteiro, de 46 anos, professora de redação de Victor até 2010 no Colégio Agostiniano São José, afirmou que vê o crime como fruto da falta de policiamento e de educação. "É o tipo de acontecimento que desperta a ira, a raiva nas pessoas. Ensinamos sempre: 'é só não reagir', e ele não reagiu e foi baleado na cabeça", disse.

Bruno Trindade Lima, de 21 anos, colega da Cásper Líbero, o descreveu como "alegre, feliz, sempre sorrindo". Em sua página do Facebook, o universitário morto aparece quase que invariavelmente com um sorriso. Lima afirma que a notícia da morte do colega se espalhou pelo Facebook, antes de ser confirmada pela namorada da vítima, Isadora Cavalheiro Dias. Os colegas compareceram em peso no velório e no enterro, que ocorreu às 17h de ontem, no Cemitério da Quarta Parada.

Investigação. O caso está sendo investigado pelo delegado André Pimentel, do 81.° Distrito Policial. /COLABOROU BRUNO RIBEIRO

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