Suspeito de matar irmãs quis esconder arma na casa delas

Afirmação foi feita pelo pai das meninas à polícia; para investigadores, objetivo seria incriminar dono da residência

João Carlos de Faria, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2011 | 00h00

ESPECIAL PARA O ESTADO / TAUBATÉ

O pedreiro José Benedito de Oliveira, pai de J.L.O., de 16 anos, e J.V.O., de 15, encontradas mortas segunda-feira em Cunha, interior de São Paulo, disse à polícia que o principal suspeito do crime, Ananias dos Santos, de 28 anos, esteve em sua casa dia 24, um dia após o sumiço das irmãs, pedindo que ele guardasse uma arma. Segundo a polícia, pode ter sido uma tentativa de incriminar o pai das vítimas, caso a arma fosse encontrada em sua casa.

Oliveira afirmou que ele estava nervoso e pediu para esconder a arma em um monte de lenha. "Disse a ele que fosse embora", afirmou o pedreiro.

A auxiliar de enfermagem de 50 anos que namorava o suspeito do duplo homicídio disse em entrevista que se arrependeu de não ter avisado a polícia logo que recebeu um telefonema de Santos, também na quinta-feira, afirmando saber onde estavam os corpos. "Eu me arrependo amargamente", disse. A polícia suspeita que a mulher tinha ciúme da menina de 15 anos e Santos matou a garota para mostrar que amava a namorada. Uma irmã do suspeito também foi entrevistada e disse que ele não comentou nada sobre o crime. "Não acredito que tenha feito isso. Mas se fez tem de ser castigado."

Santos cumpria pena no Presídio Edgar Magalhães Noronha, em Tremembé, mas fugiu depois de uma saída temporária de Páscoa, há dois anos. Passou a morar com os pais em Cunha, no mesmo bairro das meninas. Ele teve a prisão decretada e está foragido. Foi incluído na lista dos 25 mais procurados do Estado pela Secretaria de Segurança.

Passeata. Moradores de Cunha saíram às ruas ontem para protestar contra o crime e pedir reforço no efetivo policial. O município, um dos maiores do Estado em extensão, tem apenas 19 policiais militares.

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