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Suspeito de matar estudante em latrocínio no Jabaquara se entrega e é preso pela polícia

Acxel Gabriel de Holanda Peres, de 23 anos, foi levado ao Deic, na zona norte da capital. Ele deve responder na Justiça pelo roubo seguido de morte de um jovem de 20 anos que aconteceu nesta semana

Redação, O Estado de S. Paulo

29 de abril de 2022 | 14h31
Atualizado 29 de abril de 2022 | 23h15

O suspeito de matar o universitário Renan Silva Loureiro em um roubo na zona sul de São Paulo no início da semana se entregou nesta sexta-feira, 29, à Polícia Civil. Acxel Gabriel de Holanda Peres foi preso por policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). O suspeito tem 23 anos e, de acordo com a polícia, já tem dez passagens criminais por roubo e receptação. 

De acordo com a polícia, ele foi preso após uma longa negociação, teria confessado o crime e estaria arrependido. "Ele estava esperando o retorno da mãe, que estava no litoral, para se entregar. Ele confessa e se diz arrependido", afirmou o delegado Roberto Thomaz. Ele será indicado por crime de latrocínio (roubo seguido de morte). 

“A prisão do assassino do jovem Renan não devolve a vida e o convívio dele com sua família, mas que sirva como uma clara demonstração da eficiência das polícias de São Paulo. A ordem é não dar trégua ao crime. Meus sentimentos aos pais e amigos", afirmou o governador Rodrigo Garcia.

Renan foi baleado na cabeça durante tentativa de assalto. Ele estava com a namorada na Rua Freire Farto, no Jabaquara, por volta das 22h40, quando foram abordados pelo criminoso. Câmeras de segurança gravaram o momento em que o assaltante atira para o alto e Renan se ajoelha dizendo: “Eu não tenho nada”. Quando o criminoso aponta a arma para a namorada dele, Renan reage. Depois é baleado quatro vezes. Um dos tiros atingiu sua cabeça.

A partir de informações que relacionavam um suspeito às características do criminoso, a equipe da 1ª Delegacia Patrimônio (Investigações sobre Roubo e Latrocínio) esteve em dois endereços na Vila do Encontro, também na zona sul. Em um imóvel, os policiais encontraram o revólver, bolsa, uma jaqueta e capa de chuva, material semelhante ao utilizado pelo autor do crime, de acordo com a polícia. No outro local, estavam objetos que podem ser provenientes de roubo, principalmente cartões de memória de celulares.

A polícia chegou aos locais, pois o criminoso não desligou o celular de Renan, o que facilitou sua localização. A placa da moto também foi registrada pelas câmeras de segurança. A partir da localização, começou a negociação para que ele se entregasse.

O crime causou grande comoção nas redes sociais, com a circulação das imagens do crime, e mobilizou as autoridades. Nesta quinta-feira, 28, o presidente Jair Bolsonaro prestou solidariedade à família e à namorada de Renan. O novo delegado-geral da Polícia Civil do estado, Osvaldo Nico Gonçalves, disse ter ficado abalado com o assassinato e que as equipes estão empenhadas na prisão do suspeito.

Clarice Silva divulgou uma mensagem nas redes sociais direcionada para o suspeito. “Quero ele vivo. Axcel já me tirou o meu bem mais precioso: meu filho. Você já sendo responsável por eu não conseguir rezar a perda do meu filho, eu engasgo no Pai Nosso porque não consigo concluir. Não vou me igualar na maldade. Embora meu coração oscile entre a tristeza e a raiva, você também não vai tirar a bondade de dentro de mim. Que seja preso, julgado e condenado. E cumpra a sua pena"

Suspeito preparava fuga e viu vizinhança se revoltar com o crime

A comunidade onde o suspeito Acxel vive, em Americanópolis, também na zona sul da cidade, ficou revoltada com o crime do qual ele é acusado. Por isso, ele corria risco de morte no próprio local onde morava. A afirmação é do delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, após a prisão do suspeito. “A polícia tinha a informação de que ele poderia ser morto na comunidade onde estava por não aceitarem o crime cometido por ele”, afirmou. "Eles queriam fazer justiça com as próprias mãos", completa. 

Procurado pela polícia, que divulgou seu nome e rosto, e acuado pelos vizinhos, o suspeito preparava uma fuga. Ele teria tentado vender o carro, um Polo preto, para fugir. O carro avaliado em R$ 28 mil foi oferecido por R$ 18 mil. O comprador o reconheceu pelas imagens e desistiu do negócio. Sem alternativas, ele fugiu sozinho para a zona leste.

Segundo o delegado Rogério Barbosa, responsável pela prisão, ele demorou para se entregar porque esperava o retorno da mãe, que estava em Itanhaém, no litoral paulista. Ainda de acordo com o delegado, Acxel confessou o crime. “Ele disse que foi roubar o celular, mas atirou diante da reação das vítimas”, disse o investigador.

O suspeito será interrogado, preso temporariamente, mas vai passar por audiência de custódia. Os investigadores apuram a sua eventual participação em outros crimes. A polícia ainda confirma a investigação de que ele teria feito um cadastro numa empresa de aplicativo, como entregador, sem nunca ter feito nenhuma entrega. Existe a possibilidade de ele ter a prisão preventiva decretada. 

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