Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE

Suspeito de iniciar incêndio em favela de SP é preso

Fogo destruiu aproximadamente 80 barracos na região central de São Paulo e deixou cerca de 300 pessoas desabrigadas

17 Setembro 2012 | 15h08

Texto atualizado às 17h54.  

SÃO PAULO - A polícia prendeu no início da tarde desta segunda-feira, 17, o suspeito de iniciar o incêndio que destruiu 80 barracos na favela Moinho, na região central de São Paulo. O fogo começou nessa manhã, destruiu 80 barracos e deixou cerca de 300 pessoas desabrigadas.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, Fidelis de Melo Jesus foi encontrado em um hospital da região central da capital. Ele está preso no 77º Distrito Policial (Santa Cecília). Jesus morava em um barraco na comunidade junto com Damião Melo, em uma união homoafetiva.

O casal, usuário de drogas, teria se desentendido no início desta manhã. Durante a discussão, Jesus ateou fogo no barraco onde viviam. Damião Melo morreu no incêndio.  

 Duas vizinhas do barraco onde teria começado o fogo, às 7h, dizem que uma família que morava na residência, assistida por um programa da Prefeitura, deixou o local há cerca de três meses. A casa foi então ocupada por Jesus e Melo.

 

 

Moradora da comunidade há mais de cinco anos, Gislaine dos Santos salvou uma televisão e o aparelho de microondas. Ela conta que saiu para levar seus dois filhos - um menino de quatro anos e uma menina de dois - até uma creche da região. Quando ela voltou para casa, o incêndio já consumia parte da favela. "Acordei o meu marido e saímos correndo só com as roupas do corpo. Ele conseguiu pegar a TV e o microondas, mas foi só isso, todo o resto está queimado. Perdemos um guarda-roupas novo e também o beliche das crianças, que ainda nem pagamos", lamentou. "E ainda temos que ficar de olho no pouco que conseguimos salvar porque é fácil de alguém roubar".

"Agora temos que erguer a cabeça e continuar", é o pensamento de Maria Cristina Santos, moradora do Moinho há 15 anos. Ela trabalha com reciclagem e teve sua casa totalmente incendiada. Casada e mãe de um adolescente de 15 anos, afirma não saber o que fazer.

Mãe de seis filhos, Bianca, de 25 anos, que preferiu não dar o nome completo à reportagem, conseguiu salvar somente a cadeira de rodas de uma de suas filhas. Separada, ela mora no Moinho há um mês, por falta de opção. "Ninguém aluga uma casa ou apartamento para quem tem cinco filhos".

A Defesa Civil estima que ao menos 80 barracos foram consumidos pelas chamas e 300 pessoas ficaram desabrigadas. O trânsito foi bloqueado nos dois sentidos do Viaduto Orlando Murgel - ligação entre as avenidas Rio Branco e Rudge.

Transporte. Além disso, a circulação foi interrompida nas linhas 7-Rubi e 8-Diamante da CPTM. De acordo com a SPTrans, 17 linhas de ônibus tiveram itinerário desviado. Todas as ruas do entorno da comunidade estão bloqueadas, segundo a CET, e vias no sentido da alça da Marginal do Tietê para a Ponte da Casa Verde também estão fechadas. O trânsito está concentrado na Avenida Rudge.

As linhas de ônibus afetadas são: 1732-10 Vila Sabrina/Metro Santa Cecilia, 178l-10 Lauzane Paulista/Hosp. Das Clinicas, 8214-10 Jd. Paulistano/Pca. do Correio, 8538-10 Freguesia do Ó/Praça do Correio, 8544-10 Cid. D'abril 3.Gleba/Largo do Paissandú, 8600-10 Terminal Pirituba/Largo do Paissandú, 8600-21 Terminal Pirituba/Largo do Paissandú, 8600-22 Terminal Pirituba/Largo do Paissandú, 9300-10 Term. Casa Verde/Term. Pq. D.Pedro, 9301-10 Term. Casa Verde/Paissandu, 9352-10 Pedra Branca/Term. Correio, 9354-10 Nsa. Sra. De Fátima/Terminal Correio, 9500-10 Term. Cachoeirinha/Paissandu, 9501-10 T.T.V.N.Cachoeirinha/Paissandu, 9501-21 T.T.V.N.Cachoeirinha/Term.Princesa Isabel, 9653-10 Pedra Branca/Lgo. Do Paissandu e 967a-10 Imirim/Pinheiros.

A assessoria de imprensa do Metrô informou que o incêndio não interfere nas operações desta segunda-feira.

Este é o sétimo incêndio em comunidades da capital paulista nos últimos 40 dias e o 34º caso apenas no Estado de São Paulo. O coordenador da Defesa Civil de São Paulo, coronel Jair Paca de Lima, afirma que "o tempo seco e a enorme quantidade de materiais inflamáveis - papelões, madeira, botijões de gás - são os principais causadores de incêndios nas favelas paulistas".

Comunidade. A Favela do Moinho ocupa uma área de 30.107 m², com aproximadamente 375 barracos, segundo dados da Prefeitura de São Paulo. Em dezembro de 2011, a mesma comunidade foi atingida por outro grande incêndio, 368 barracos foram destruídos e aproximadamente 1,5 mil moradores ficaram desabrigados. A Prefeitura já informou a intenção de transformar a região em um parque e três terrenos estavam em análise para receber as famílias que ocupam a favela.

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