Suspeito de assassinar aluno da FGV foi preso por outro crime

Baleado na perna, rapaz deu entrada em hospital e foi detido por porte de munição. Ele e irmão atiraram em estudantes

Plínio Delphino, O Estado de S.Paulo

01 Março 2011 | 00h00

Um dos acusados de assassinar na quarta-feira o universitário Julio César Grimm Bakri, de 22 anos, aluno da Fundação Getulio Vargas (FGV), havia sido preso em flagrante no dia do crime, mas por outra acusação. Francisco Macedo da Silva, de 24, foi internado no Hospital da Vila Alpina, na zona leste da capital, baleado na perna. Avisada, a polícia encontrou com ele munições de calibre 32. Francisco foi autuado em flagrante no 56.º Distrito Policial (Vila Alpina), com base no Estatuto do Desarmamento.

 

Policiais do 4.º DP (Consolação), que investigam o caso da morte de Bakri na Bela Vista, centro de São Paulo, suspeitavam de que um dos bandidos havia se ferido no crime, ocorrido em um bar da Avenida 9 de Julho, a 100 metros da faculdade.

 

Na ocasião, Christopher Akio Cha Tominaga, de 23, também estudante da FGV, foi baleado com quatro tiros. Ele perdeu um rim e está internado. Testemunhas disseram que, ao disparar a arma, Francisco teria se ferido. Imagens da câmera de segurança do prédio vizinho ao bar mostram que um dos autores do crime tropeça, manca e foge com dificuldade.

 

Com essa informação, investigadores passaram a pesquisar todos os suspeitos atendidos em hospitais na Grande São Paulo perto da data do crime. Descobriram Francisco e chegaram à moto do rapaz, semelhante à usada no crime. No domingo, ele confessou a participação no assassinato. No mesmo dia, a Justiça decretou a prisão temporária dele por 30 dias.

 

O outro acusado de participar do ataque é Valmir Ventino da Silva, de 19, irmão de Francisco. Segundo a polícia, ele tem antecedentes criminais por roubo e a última informação sobre seu paradeiro era que estava em Foz do Iguaçu, no Paraná.

 

De acordo com investigadores, Valmir estava com Jessica, sua namorada, no mesmo bar em que as vítimas e outros três amigos jogavam cartas e tomavam cerveja.

 

"A moça saiu para ir ao banheiro. O namorado disse que os estudantes mexeram com ela e ainda o chamaram de otário", afirmou ontem o delegado Kléber Altale, titular da 1.ª Delegacia Seccional (Centro).

 

Ciúme. Furioso, Valmir saiu do bar com a namorada. Providenciou uma pistola calibre 45 e um revólver calibre 38. Foi ao encontro do irmão, que estava em um bar da Rua Senador Queiroz, também no centro. Com a moto de Francisco, uma Falcon, os dois voltaram ao bar da 9 de Julho onde estavam os estudantes. Após o crime, os irmãos fugiram. A moto foi deixada em um beco, coberta por uma lona. Valmir fugiu com as armas. Em depoimento, Jessica disse à polícia que não percebeu os estudantes mexendo com ela.

 

CRONOLOGIA

 

Investigação levou a acusado

 

23 de fevereiro

Dois homens de capacete matam o estudante Júlio César Grimm Bakri em um bar na Avenida 9 de Julho.

 

25 de fevereiro

A polícia detém um servidor público e diz que há indícios de participação dele no crime.

 

26 de fevereiro

A Justiça decreta a prisão do suspeito.

 

27 de fevereiro

A polícia chega a Francisco Macedo da Silva, preso ao dar entrada em um hospital no mesmo dia do crime. Ele confessa a participação no crime e o servidor é liberado.

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