Suspeito de abusar da enteada é linchado no litoral paulista

Jovem disse a policiais que era abusada desde os 9 anos, mas na delegacia apenas disse que era agredida

Rejane Lima, O Estado de S.Paulo

11 Março 2009 | 17h03

Acusado de abusar sexualmente da enteada, o auxiliar de manutenção C.C.S., de 38 anos, foi linchado nesta quarta-feira, 10, em uma favela no bairro da Vila Esperança, em Cubatão, Baixada Santista. A vítima E.C.T.S, de 17 anos, deu duas versões sobre os fatos: aos policiais militares disse que era molestada pelo padrasto desde os 9 anos, porém, na delegacia afirmou nunca ter sido estuprada por ele.   Veja também: Dois são presos em operação contra pedofilia em São Paulo  Como denunciar a pedofilia e proteger seus filhos na web   A cartilha do governo para prevenção da exploração   Todas as notícias sobre pedofilia     A Polícia Militar chegou à favela Sítio Novo por volta das 18h20 da última terça-feira, depois de receber denúncia de linchamento. Os policiais foram recebidos a tiros por cinco homens, porém não revidaram por estar escuro e acreditarem que havia uma vítima entre eles. Os homens fugiram para o mangue e a PM encontrou C.C.S. amarrado e amordaçado. Ele estava deitado em uma plataforma de madeira sob o mangue e apresentava diversos ferimentos. No bairro, populares informaram que ele havia estuprado uma garota e ela estaria para o Pronto-Socorro Central.   Ao chegar ao PS, a jovem reconheceu o homem como sendo seu padrasto e disse que ele a estuprava desde que tinha 9 anos. Até um mês atrás, ela morava com ele a mãe no bairro Jardim São Francisco, na zona sul de São Paulo, porém mudou-se para casa de parentes em Cubatão e o padrasto teria vindo atrás dela. Um exame realizado no PS constatou que a jovem não havia sido molestada naquele dia.   Após atendimento no PS, ambos seguiram para o 1.º Distrito Policial de Cubatão, onde a jovem informou ser constantemente ameaçada pelo padrasto, entretanto negou já ter sido abusada sexualmente. O acusado não chegou a prestar depoimento, pois apresentou forte sonolência ao chegar à delegacia e foi levado novamente ao Pronto-Socorro. Foi registrado boletim ocorrência com duas vítimas, a jovem como vítima de ameaça e o padrasto como vítima de lesão corporal dolosa e como autor de ameaça.   O caso foi encaminhado para a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e, segundo a Polícia Civil, a investigação agora aguarda resultados dos exames do Instituto Médico Legal (IML) para instaurar inquérito. Como não foi configurado flagrante, o acusado permanecerá em liberdade. O conselho tutelar de Cubatão foi acionado e afirmou que já adotou as medidas protetoras de praxe.

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