José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Suspeito confessa ter recebido R$ 50 para atear fogo em ônibus

Ao todo, três homens, que seriam usuários de crack, foram detidos por incendiar cinco coletivos na zona sul de SP, mas foram liberados

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

09 Janeiro 2015 | 15h17

SÃO PAULO - Um dos suspeitos de ter participado do ataque a cinco ônibus na Avenida Belmira Marin, na zona sul da capital paulista, confessou ter recebido R$ 50 para tocar fogo em um coletivo, segundo informa a Polícia Civil. Ao todo, três homens foram detidos e indiciados por crime de incêndio, atentado ao transporte público e organização criminosa. Eles, no entanto, já foram liberados pela Justiça, que negou o pedido de prisão provisória.

Segundo o delegado André Antiqueira, titular do 101º Distrito Policial (Jardim das Imbuias), os três detidos são usuários de crack e costumam ficar na Avenida Dona Belmira Marin. "O que a gente consegue afirmar até agora é que eles foram contratados para realizar a empreitada criminosa", afirmou Antiqueira.

Ainda de acordo com ele, a segunda etapa da investigação será encontrar "seis ou sete" suspeitos que também participaram do crime, além de apontar os responsáveis por pagar pelos ataques que destruíram completamente quatro ônibus e danificaram o quinto. "Temos o 'vulgo' dessas pessoas que contrataram", disse o delegado, que preferiu não detalhar informações.

Segundo conta, os policiais chegaram até os suspeitos após receberam uma informação de que a ordem para os ataques havia partido do Jardim Lucélia, bairro da região do Grajaú, próximo ao local onde os ônibus foram incendiados. Ao investigar a área, o trio foi apontado como autor do crime.

"Assim que foram abordados, um deles acabou confessando que foi cooptado e contratado por R$ 50 para atear fogo em um ônibus", disse Antiqueira. Segundo o delegado, os outros dois suspeitos negaram participação no crime. "Um alega que foi procurado, mas não topou fazer o serviço. O terceiro disse que estava passando pelo local para pegar restos do ônibus, como cobre", afirmou. Ambos, contudo, foram delatados na confissão do primeiro, de acordo com o delegado.

Os ataques aconteceram na última quarta-feira, 7. Por volta das 20h15, segundo a Polícia Militar, os criminosos pararam um coletivo, na altura do número 4.200 da Belmira Marin, e mandaram os passageiros descerem. Com garrafas pet cheias de gasolina, atearam fogo no veículo. Depois, mais dois ônibus foram atacados a cerca de 700 metros de distância do primeiro local. Outros dois coletivos também foram incendiados em pontos distintos da avenida.

De acordo com a São Paulo Transporte (SPTrans), os cinco ônibus pertenciam à Viação Cidade Dutra, que atende a zona sul da cidade. Com receio de novos ataques, a empresa chegou a recolher seus veículos da rua durante à noite da quarta-feira e só retomou a circulação na manhã seguinte.

Antiqueira não descarta a hipótese de os incêndios terem ocorrido em protesto ao aumento da tarifa de ônibus, embora veja poucos indícios. A possibilidade mais forte é que o crime tenha sido encomendado por facções criminosas em represália após ações ostensivas da PM na região, apreensão de entorpecentes e uma tentativa frustrada de ataque a uma agência bancária.

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