Suspeita de tráfico internacional de crianças é presa

Uma investigação que começou em Minas Gerais levou policiais de São Paulo a prenderem anteontem, na capital paulista, uma mulher acusada de tráfico internacional de crianças. A pernambucana Maria José Rodrigues, de 53 anos, foi flagrada no Grajaú, na zona sul da cidade, quando recebia uma recém-nascida das mãos da mãe, uma adolescente de 17 anos que negou saber que o bebê seria levado para o exterior.

MARCELO PORTELA, BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2012 | 03h04

A delegada Karine Costa, da Polícia Civil em Montes Claros, no norte do Estado, investigava Maria José desde março, quando a suspeita tentou "comprar" crianças em São Francisco, município de aproximadamente 50 mil habitantes na mesma região. O alvo eram sempre famílias carentes, que Maria José tentava convencer a entregar crianças com a alegação de que cuidaria dos bebês.

Segundo a delegada, a acusada não teve sucesso e seguiu para São Paulo, mas continuou sendo monitorada, até com interceptação telefônica autorizada pela Justiça. E foram essas ligações que levaram a polícia a descobrir que ela aliciava a adolescente em São Paulo e avisar integrantes da Delegacia de Investigações sobre Facções Criminosas e Lavagem de Dinheiro do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) de São Paulo, que fizeram a prisão.

Agentes acompanharam até as visitas que Maria José fez à jovem após o nascimento do bebê, ainda no hospital, por causa de complicações no parto.

As investigações da polícia mineira indicam que a acusada teria conseguido aliciar uma família em Montes Claros, que teria recebido R$ 500 para ceder um bebê a Maria José. Denúncias recebidas pelos policiais indicam que ela teria cúmplices na região. Ainda segundo a polícia, as crianças seriam enviadas para a Itália, onde vive o marido da suspeita, também investigado.

A mãe do bebê informou à polícia que a acusada alegou apenas que assumiria a guarda da menina. Maria José foi autuada em flagrante por subtração de menor. A adolescente foi levada à Fundação Casa e a recém-nascida, ao Conselho Tutelar de São Paulo.

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