Luciana Amaral/Estadão
Luciana Amaral/Estadão

SUS gasta até R$ 40 mil por hospitalização decorrente de queda na rua

Em todas as regiões da cidade é possível encontrar passeios quebrados, lixo amontoado, degraus altos demais e postes no meio do caminho

Gabriela Caesar e Luciana Amaral, O Estado de S. Paulo

05 Setembro 2016 | 03h00

Uma das fundadoras da associação Cidade a Pé, a urbanista Meli Malatesta se transformou em uma das vítimas das calçadas irregulares de São Paulo. Ela andava à noite para casa, nos Jardins, em outubro do ano passado, quando tropeçou no piso desnivelado em frente a um condomínio de luxo e caiu. O tombo fez com que torcesse o tornozelo e fraturasse um osso. "Fiquei um mês usando bengala. Foram 40 sessões de fisioterapia, e continuo com sequelas, com problemas de articulação", disse. 

Acidentes em calçadas também trazem prejuízos aos cofres públicos. De acordo com um estudo realizado pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas, 18% das vítimas de quedas atendidas no local caíram na rua. Destes, 40% por causa de buracos mesmo com 45% dos entrevistados usando tênis. O custo de um paciente internado por esse motivo pode chegar a R$ 40 mil ao Sistema Único de Saúde (SUS), estima.

Para Meli, a queda deu mais motivos para defender a melhoria da mobilidade por meio da Cidade a Pé, criada em abril do ano passado. Antes, ela já tinha trabalhado por mais de 30 anos com segurança do pedestre na Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

"É preciso ver a caminhada como transporte primordial. O transporte coletivo é alimentado por pessoas a pé, só que elas não são entendidas como uma rede, que se integra e alimenta o sistema de transporte público. Terminais de ônibus e estações de metrôs são feitos com travessias esquisitas."

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