Surpreso, passageiro ligou ato à greve geral

Maioria previa paralisação só hoje; usuário pagou passagem e desceu antes do ponto

Caio do Valle, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2013 | 02h03

Para o paulistano que depende de ônibus, a paralisação do serviço em 16 terminais da cidade tornou ainda mais difícil a rotina ontem. A maior parte das pessoas afetadas estava indo para o centro da capital, onde faria baldeações, vindo de regiões periféricas. Entretanto, essas pessoas tiveram de saltar antes da hora para tentar arranjar outro meio de transporte e evitar um atraso maior. A maioria foi surpreendida pela manifestação.

"Eu pensava que ia ter greve amanhã (hoje), e não hoje (ontem)", reclamou o aposentado Silas Augusto do Nascimento, de 66 anos, que pegou um ônibus na Mooca, na zona leste, rumo à Praça da Sé, no centro. Ele teve de descer na esquina da Avenida Rangel Pestana com a Rua da Figueira, no Brás, onde o coletivo em que estava parou, e seguir o resto do percurso a pé.

Já o bibliotecário Alessandro Paes, de 30 anos, pegou o ônibus na Liberdade para ir ao trabalho no Pari, ambos bairros da região central. Teve de descer antes da metade do caminho por causa da manifestação e ainda não sabia se conseguiria trabalhar. "Acho válido paralisarem, mas eles têm de deixar bem claro o que querem."

Um dos pontos que causaram reclamação dos usuários é o fato de eles terem pago por uma viagem que não se concretizou. "Pagamos a passagem sem saber dessa paralisação. É um absurdo, porque todo mundo estava falando que a greve seria na quinta-feira e não hoje (ontem)", disse a dona de casa Evângela da Silva Salgado, de 38 anos, que ia com a filha adolescente de 15 anos fazer compras na região da 25 de Março.

Grávida. A atendente Rutiele Sacramento dos Santos, de 21 anos, está grávida de 7 meses e teve de andar vários metros para chegar ao Terminal Parque D. Pedro II, onde esperaria por um ônibus que a levasse até o trabalho, nas proximidades do Shopping Jardim Sul, na Saúde, zona sul.

Ela havia embarcado em Ermelino Matarazzo, na zona leste, onde mora, mas seu ônibus parou na manifestação. "Ninguém falou nada quando entrei. Agora não tenho dinheiro para pegar o metrô."

Com todos os bancos do terminal cheios de pessoas que aguardavam a partida dos ônibus, ela esperava sentada em uma mureta do lado de fora, apesar do tamanho de sua barriga. "Ninguém deu lugar para que eu sentasse."

Assim como ela, a diarista Terezinha de Fátima Salgado, de 57 anos, não tinha como buscar a alternativa do metrô, uma vez que o dinheiro de sua condução mensal é contado e não prevê a diferença debitada da integração com o sistema metroviário. Terezinha mora em São Miguel Paulista, no extremo da zona leste, e havia chegado ao Terminal Parque D. Pedro II às 8h40. Seu ônibus rumo ao trabalho, em Santa Cecília, região central, só saiu depois da hora do almoço.

Motoristas. Não só os passageiros foram surpreendidos pela manifestação de ontem. Muitos dos próprios motoristas dos ônibus ficaram sabendo da paralisação ao chegar aos terminais onde as mobilizações ocorriam. "Se soubesse nem teria saído da garagem", disse um condutor da zona leste que preferiu não se identificar com medo de represálias da empresa.

Muitos cartazes foram afixados nos ônibus que estavam parados na região central. Eles pediam "convênio médico de qualidade" e melhores condições de serviço para os trabalhadores. Muitos deles, segundo os manifestantes, não são registrados nas empresas e não têm acesso aos direitos trabalhistas mais elementares, como hora extra e férias.

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