Surge nova ‘favelinha’ na Cracolândia

Após Prefeitura de São Paulo cadastrar usuários, nesta quinta-feira já era possível achar pelo menos dez barracas na região

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

20 de junho de 2014 | 03h00

SÃO PAULO - Cinco meses após a Prefeitura de São Paulo retirar a “favelinha” que havia se formado na Cracolândia, no centro da cidade, e cadastrar os usuários de drogas em um programa que dá moradia, trabalho e comida aos participantes, novos barracos começaram a ser montados na região nos últimos dias.

Desta vez, as moradias improvisadas estão sendo instaladas na calçada da esquina da Rua Helvetia com a Alameda Cleveland, a uma quadra da antiga “favelinha” e a poucos metros da tenda do programa De Braços Abertos, que acolheu os dependentes dos antigos barracos.

Em dezembro, dezenas de barracos, a maioria de usuários de crack, foram montados na região da Alameda Dino Bueno. Em janeiro, a Prefeitura realizou a remoção da área e cadastrou mais de 300 pessoas no programa municipal.

Nesta quinta-feira, 19, o Estado contou dez barracas, feitas com cobertores, tapumes e capas plásticas. Segundo guardas-civis e usuários ouvidos pela reportagem, elas passaram a ser erguidas na semana passada, quando os dependentes buscavam abrigo contra o frio e a chuva.

“O pessoal que montou barracas é que não está no projeto da Prefeitura. Alguns porque não querem, outros porque tentaram e não conseguiram vaga”, afirma M.L.S., de 23 anos, usuária de crack que divide com um amigo o barraco montado na calçada. Moradora da Cracolândia há três meses, ela afirma estar na lista de espera por uma vaga no projeto.

Os barracos estão sendo montados no meio do chamado “fluxo”, aglomeração em que usuários comercializam e usam crack. Em uma das moradias, de cerca de 1 metro quadrado, mais de cinco dependentes fumavam a pedra nesta quinta.

M.L.S. diz que ela e outros donos de barracas também têm aproveitado a estrutura para ganhar dinheiro. “Enquanto não estamos lá, alugamos para quem não tem barraca. A gente aluga para quem quer fumar ou transar. É R$ 10 a hora”, conta.

As novas barracas estão sendo montadas onde, no mês passado, a Prefeitura havia instalado grades separando a calçada da rua. A ideia era impedir que o “fluxo” tomasse a via pública. A estrutura enfrentou resistência dos dependentes e foi retirada.

Questionada sobre a instalação de novos barracos na região, a Prefeitura disse que os moradores de rua “montaram algumas lonas por causa da chuva” e estão sendo orientados pelos guardas-civis a retirarem o material do local.

Afirmou também que as equipes da assistência social “vão intensificar as abordagens e reiterar o convite” para os equipamentos públicos e para a tenda instalada na região.

Fila. Questionada sobre o cadastro desses dependentes no programa De Braços Abertos, a Prefeitura afirmou que eles serão inscritos conforme disponibilidade das vagas. A administração municipal não informou quantos usuários de drogas estão na lista de espera do programa nem o número atual de cadastrados.

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