ALEX SILVA/ESTADÃO
ALEX SILVA/ESTADÃO

Suposto motel é barrado no Alto de Pinheiros

Construção na Rua Pedralva foi embargada após mobilização de moradores; construtora diz que fará residencia

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

10 Abril 2017 | 03h00

SÃO PAULO - Em meio a acusações de que a Prefeitura havia liberado um motel no coração do Alto de Pinheiros, zona oeste, em uma área classificada pela Lei de Zoneamento como de uso estritamente residencial, a Regional de Pinheiros embargou na semana passada uma obra de dois andares e 731 m². A empresa nega e diz que planeja um residencial.

O suposto motel fica na Rua Pedralva, a duas quadras do Parque Villa-Lobos, uma das regiões mais arborizadas e valorizadas da capital paulista. O local teria ao menos 18 quartos. A Uati é a construtora responsável pelo empreendimento e diz que estão sendo construídos ali apartamentos de um dormitório cada.

O incômodo do bairro com a obra começou com o início dos trabalhos, em abril do ano passado. A Prefeitura emitiu um alvará autorizando uma edificação nova, mas do tipo que libera usos não residenciais, como flats e apart hoteis – tipo de licença que os motéis também recebem. Ao tomar ciência de que a rua pacata “teria um motel”, os moradores se mobilizaram. Fizeram um abaixo-assinado e procuraram, já neste ano, uma audiência com o prefeito regional, Paulo Mathias. 

Na internet, a mobilização teve 1.240 assinaturas. “Motel no Alto de Pinheiros, NÃO!”, é o título da petição. “Com o motel, virão o movimento e a frequência que já destruiu bairros e ruas antes pacíficas e familiares. Nosso vizinhos que moram próximo da Avenida Valdemar Ferreira, no City Butantã, sabem muito bem disso”, dizia o texto. 

Um dos problemas é que, durante a vigência da Lei de Zoneamento anterior, da gestão Marta Suplicy (PMDB), o lote em que a obra vinha sendo feita era apontado como Zona Mista, no lugar de Zona Estritamente Residencial – uso autorizado ali desde 1937, quando foi assim definido pela loteadora do bairro, a Companhia City.

“A lei é clara. Quando há restrição da loteadora, vale o que for mais restritivo. Há jurisprudência sobre isso”, diz o arquiteto Rodrigo Izecson, morador do bairro e um dos organizadores do abaixo-assinado contra o motel. O prefeito regional ainda está avaliando os detalhes sobre a autorização para flats e apart hotéis emitida para uma rua residencial, mas diz que o embargo nada teve a ver com isso.

Detalhes.“Os técnicos foram até a obra e viram que os serviços que vinham sendo executados ali tinham detalhes técnicos diferentes daqueles que estavam na planta aprovada. A obra foi embargada porque estava em desacordo com o projeto aprovado”, disse Mathias.“Ainda estamos avaliando os detalhes do alvará”, completou

O diretor da construtora Uati, Marc El Khouri, diz que não há erro na definição de uso. “Estamos construindo um conjunto de apartamentos, voltado para idosos, universitários”, disse, citando a proximidade da USP. “Nunca dissemos que ali seria um motel. Ninguém nunca nos procurou.”

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