Werther Santana/AE
Werther Santana/AE

Suposto integrante do PCC é morto pela polícia em SBC

'Guga' era investigado por sequestro cometido em junho; policiais o cercaram e houve troca de tiros

Daniela do Canto, da Central de Notícias,

31 de julho de 2009 | 07h48

Um homem apontado pela polícia como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) foi morto em uma troca de tiros com policiais nesta quinta-feira, 30 em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Segundo a Polícia Civil, Wesley dos Santos, de 20 anos, vulgo "Guga", estaria envolvido no sequestro do filho de um comerciante de Itapevi, na Grande São Paulo, praticado no último mês de junho.

 

Outras três pessoas, entre elas a namorada de Santos, foram presas. A polícia ainda vai investigar se elas têm envolvimento no crime de cárcere privado.

 

Os policiais da Delegacia Antissequestro (DAR) de Carapicuíba chegaram até Guga quando começaram a investigar o crime, cometido no dia 16 de junho. A vítima foi libertada em 9 de julho, após pagamento de resgate. A polícia identificou o suspeito como um dos envolvidos no crime e grampeou o telefone de Santos, com autorização da Justiça.

 

Por meio de escutas telefônicas, os investigadores descobriram que Guga estaria em uma loja de automóveis, localizada na Avenida Soldado Luís Pequini, na tarde da quinta-feira, e cercaram o local. Santos notou a movimentação e ligou para um comparsa, identificado como Celso Laurentino da Silva, de 36 anos, conhecido como "Gordo", para que ele fosse resgatá-lo. A ligação foi interceptada pela polícia.

 

Gordo foi até o local em um Volkswagen Golf amarelo, acompanhado de Ozinaldo de Souza Leite, de 34 anos, vulgo "Sainha" e Késia Muniz Faustino, de 18 anos, namorada de Santos. Quando tentava entrar no carro, Guga trocou tiros com a polícia e acabou baleado no peito. Ele caiu ferido na Rua Dom Bernardo José Bueno de Miele, próxima à loja. Levado ao Hospital Municipal de São Bernardo do Campo, o suspeito morreu em seguida.

 

A pistola calibre 7.65 usada por Guga foi encontrada pela polícia na sarjeta da Avenida Soldado Luís Pequini. O celular de Gordo também foi apreendido. Silva, Leite e Késia foram presos e levados ao 6º Distrito Policial da cidade. Eles responderão por resistência e formação de quadrilha.

 

Késia contou à polícia que está grávida de três meses do namorado morto e já perdeu um filho de um ano, também dele, que morreu por motivo de doença. Conforme a Polícia Civil, Santos era foragido da Penitenciária de Reginópolis, onde cumpria pena por roubo. Ele saiu no último indulto de Páscoa e não retornou à prisão.

 

Documentos do PCC

 

Levados por Késia até a casa de Santos, no bairro de Ferrazópolis, em São Bernardo, os investigadores encontraram dezenas de "fichas cadastrais", preenchidas de supostos filiados ao PCC. O delegado Paul Henry Verduraz, titular do 6º DP, afirmou que a jovem também levou a polícia até o cativeiro onde o filho do comerciante foi mantido refém, no Parque Imigrantes, em São Bernardo.

 

Segundo o delegado Gilmar Camargo Bessa, titular da DAS de Carapicuíba, Guga era um dos líderes da quadrilha que praticou o sequestro do filho do comerciante. O envolvimento com o PCC, conforme o delegado, foi demonstrado pelos documentos encontrados na casa dele.

 

Bessa definiu a quadrilha como "multifuncional", especializada em diversos tipos de crimes, como roubo e tráfico, além de sequestro. Ainda de acordo com o delegado, o bando é formado por pelo menos 12 pessoas, muitas delas presas, inclusive o mentor do sequestro.

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