Diego Zanchetta/Estadão
Diego Zanchetta/Estadão

Suplicy quer diálogo com Passe Livre e black blocs

Agora chefe da pasta de Direitos Humanos, o ex-senador garantiu que o diálogo com movimentos sociais será a tônica de sua gestão

Diego Zanchetta, O Estado de S. Paulo

02 Fevereiro 2015 | 12h11

Atualizado às 15h42

SÃO PAULO - Ao assumir hoje pela manhã como novo secretário municipal de Direitos Humanos, o ex-senador Eduardo Suplicy (PT), de 74 anos, afirmou estar disposto a dialogar com o Movimento Passe Livre e com os black blocs. Desde que os protestos contra o aumento das passagens de ônibus e do Metrô - de R$ 3 para R$ 3,50 - passaram a ocorrer, no início do mês de janeiro, representantes da Prefeitura de São Paulo e líderes das manifestações ainda não se reuniram.

Suplicy chegou a dizer que participaria até de uma passeata para tentar o diálogo. Ele defendeu a realização de protestos pacíficos, sem o uso da violência. "Os movimentos cívicos das Diretas Já (1983-1984) e Pela Ética na Política (1992) não tiveram uso da violência e surtiram grande efeito. Isso é possível", defendeu o novo secretário. 

Ele foi ovacionado por uma plateia formada principalmente por integrantes de ONGs, ativistas de direitos humanos e de petistas ligados à classe artística, como os atores Sergio Mamberti, 74, e José Celso Martinez. 78. Seu filho Supla, de 49 anos, também estava entre os cerca de 300 presentes. Até apoiadores de Aécio Neves nas eleições do ano passado estavam lá, como a socialite Maria Cristina Mendes Caldeira, de 47 anos, ex-mulher do senador Valdemar da Costa Neto, preso após o julgamento do mensalão. 

"O Suplicy tem uma coisa que eu adoro. A honestidade", afirmou a socialite, que levou para a posse na Prefeitura sua cadelinha Fé. "Eu não acredito mais em partidos. Eu acredito em causas. Agora quero me dedicar em campanhas de combate à violência contra a mulher", concluiu.
Logo após a cerimônia de posse e de atender uma fila com cerca de 80 pessoas que queriam um "selfie", o ex-senador falou com a imprensa sobre como quer tentar abrir o diálogo com o Passe Livre. Ele também criticou a postura da Polícia Militar nos protestos e lembrou dos jornalistas do Estadão feridos nos últimos atos.
"Estou disposto a dialogar com todos os movimentos sociais, com os moradores de rua, com o Passe Livre, os black blocs. Sempre estou aberto ao diálogo", pontuou. "Se for o caso, posso participar (de uma passeata do Passe Livre). Se for chamado para conversar. Gostaria de mostrar o que pode ser viável nessa discussão", argumentou Suplicy.
Questionado sobre o assunto, o prefeito Fernando Haddad (PT) deu autorização para Suplicy dialogar com o Passe Livre. "O governo sempre esteve aberto ao diálogo. Tanto que demos a gratuidade para os estudantes mais carentes", afirmou. Ele também elogiou Suplicy e seu novo secretário de Relações Governamentais, o ex-ministro Alexandre Padilha, que também tomou posse hoje pela manhã. "Infeliz do chefe de Executivo que tem medo do brilho de outras pessoas. Eu gosto de trabalhar com gente que entende mais do que eu, como são os casos do Suplicy e do Padilha", discursou Haddad.
Convidados. Os ministros Arthur Chioro, da Saúde, e Ideli Salvatti, de Direitos Humanos, também estavam na cerimônia. Padilha, que criticou duramente a gestão Haddad pela falta de empenho em sua campanha para o governo do Estado, adotou um discurso elogioso ao prefeito. "Tenho muita honra em voltar a servir minha cidade", falou Padilha.
O ex-ministro terá como tarefa apaziguar a conflituosa relação entre Haddad e sua base governista. Ontem o próprio prefeito admitiu que sua base não tem mais do que "de 22 a 28 vereadores". Em seus seis anos de governo, o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) costuma contar com o apoio de 41 dos 55 vereadores. 
Padilha admitiu que poderá aceitar indicações políticas dos aliados do Legislativo - a principal reivindicação dos vereadores ao governo é maior espaço dentro da máquina pública. "Se houver currículo bom e competência de liderança na região de atuação isso será bem vindo", disse o novo secretário de Relações Governamentais.

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