Supersecretário caiu após propor mudança no sistema

A nova licitação e a proposta de uma grande reforma no sistema de transportes na capital foram os principais fatores da queda de Alexandre de Moraes, o ex-supersecretário e homem forte da gestão Gilberto Kassab (DEM), no começo de junho. Moraes entrou em rota de choque com empresários do setor de ônibus - que têm no irmão do prefeito, Pedro Kassab, um dos principais consultores - e também com os perueiros, que chegaram a ameaçar uma paralisação no primeiro semestre.

Bastidores: Diego Zanchetta, Renato Machado e Bruno Tavares, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2010 | 00h00

A briga com os empresários de ônibus foi basicamente pela tentativa de rever o modelo de concessionários e permissionários - respectivamente ônibus e peruas. Na proposta de Moraes, essas duas categorias seriam unificadas, com direitos parecidos e possibilitando até uma concorrência entre eles, uma vez que os perueiros poderiam investir em ônibus maiores para realizar os serviços - e, como consequência, faturar mais.

Moraes pretendia ainda zerar os subsídios pagos aos empresários como compensação tarifária. Em dois anos, foram repassados R$ 1,8 bilhão às viações, verba suficiente para construir 11 quilômetros de metrô.

Ao defender a retirada de peruas das linhas principais do centro expandido, Moraes também comprou briga com lideranças políticas na Câmara Municipal ligadas às cooperativas. O vereador Milton Leite (DEM) chegou a dizer em 2009 que a licitação jamais ocorreria. "A categoria é forte o suficiente para parar a cidade quando quiser", disse. Ele tem influência sobre 1.400 perueiros da zona sul.

Também havia uma ameaça de "rebelião" entre os perueiros da zona leste caso a licitação fosse levada adiante. Em audiências no Legislativo, donos de cooperativas davam o recado de que a "cidade vai parar" se quiserem mexer no contrato das peruas.

Desde a licitação de 2003, quando às vésperas da abertura dos envelopes descobriu-se a existência de uma cooperativa ligada à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), o Executivo tem cautela para mexer com o setor. Até hoje, são frequentes as denúncias de arbitrariedades e até extorsões de dinheiro praticadas contra cooperados que se recusam a seguir as regras impostas pelos chefes das cooperativas. A Prefeitura, porém, prefere não intervir nessas disputas.

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