Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Supersalários já estão sendo cortados, diz presidente da Câmara de SP

Segundo Milton Leite, economia com redução da remuneração de servidores que ganham acima do teto será de R$ 25 mi entre ativos e R$ 4 mi entre aposentados

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

01 Fevereiro 2017 | 14h31
Atualizado 01 Fevereiro 2017 | 17h31

SÃO PAULO - O presidente da Câmara de Vereadores de São Paulo, Milton Leite (DEM), falou que nesta semana já estão sendo cortados os salários de servidores que ganham acima do teto constitucional, os chamados "supersalários". Em entrevista à Rádio Estadão, ele disse que a Casa vai reduzir os vencimentos daqueles servidores que não recorreram ao corte publicado no Diário Oficial.

O vereador destacou que a economia com os cortes vai ser de R$ 25 milhões por ano considerando os funcionários ativos e de R$ 4 milhões levando em conta os aposentados.

"Esse dinheiro volta à Prefeitura para reinvestir em saúde e educação", disse.

O orçamento da Câmara é determinado por repasses do Executivo, e as sobras são devolvidas ao fim de cada ano.

Reajuste dos vereadores. Já o salários dos vereadores, que foram reajustados em 26,34% por resolução da Câmara, mas que tiveram o aumento bloqueado pela Justiça, deverão ter a revisão para cima garantida, afirmou o presidente. A Câmara busca revogar a suspensão do aumento na Justiça após a resolução ser questionada.

"Acredito que a Câmara deva vencer essa disputa judicial", disse.

Uma ação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) tramita no Tribunal de Justiça do Estado questionando o reajuste.

Ao ser eleito para o cargo de presidente da Câmara, no começo do ano, Leite anunciou que vai devolver o valor do reajuste em seu salário, mesmo sendo um dos autores da resolução que propôs o aumento.

"Quem for contra o aumento, que abra mão da diferença maior do salário e devolva a favor da saúde e educação, como eu vou", declarou.

O vereador falou que a Câmara é obrigada a disputar na Justiça a garantia do processo legislativo. "Não é nem questão do presidente, são os procuradores que são obrigados a fazer isso sob pena de responsabilização", disse, afirmando que é papel da Casa legislar sobre o aumento salarial dos parlamentares ao fim de cada legislatura.

Projetos de Doria. O presidente da Câmara disse que a Casa aguarda do Executivo o envio dos projetos de privatização propostos pelo prefeito João Doria (PSDB), como a venda dos complexos de Interlagos, na zona sul, e do Anhembi, na zona norte, e as concessões, como a que trata do serviço funerário do município.

"São diversos projetos, mas eu acredito que nem seria tão rápida a concepção por parte do Executivo, faz um mês que tomaram posse. Estamos aguardando a conclusão dos projetos para que iniciemos os debates e discussões."

O endurecimento à ação de pichadores, como já anunciado por Doria, também entrará na pauta dos vereadores, disse o presidente.

"O prefeito quer que endureça (a lei), e o Legislativo vai apreciar a matéria. Creio que com a base que ele tem não terá dificuldade de aprovar esses projetos inicialmente", afirmou, ao comentar a mudança na "lei das pichações", que deve aumentar a multa para quem pratica o ato em muros e outras estruturas públicas e particulares.

Ceagesp. Leite afirmou ainda que a Câmara deve revogar o decreto do ex-prefeito Fernando Haddad (PT) assinado em dezembro que viabiliza a transferência da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) da Vila Leopoldina, zona oeste, para Perus, na zona norte.

Os vereadores devem revogar o decreto por meio de um decreto legislativo, afirmou, para que haja uma discussão se a estrutura vai ficar em apenas um ponto da cidade ou distribuída em três pontos para não concentrar o trânsito em uma região.

"A turma deve apreciar a revogação desse decreto que o prefeito Fernando Haddad fez às pressas e estranhamente", afirmou.

A gestão Haddad, por meio de seu porta-voz, disse "estranhar muito" a postura de Milton Leite até porque "a transferência do Ceasa estava prevista na Lei do Zoneamento e no Plano Diretor como forma de viabilizar o Arco do Futuro e contou com o voto dele (Milton Leite)". 

Segundo a gestão Haddad, o projeto de transferência está sendo discutido e trabalhado há dois anos, incluindo o debate com o governo federal que desde sempre manifestou ser favorável ao projeto,  na gestão Dilma ou Temer.

"O então prefeito Fernando Haddad pouco antes de deixar o cargo teve reunião com o ministro da Agricultura Blairo Maggi que manifestou claramente a intenção de efetivar a transferência o mais rápido possível", destacou o porta-voz de Haddad. 

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