TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO
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Superintendente da Sabesp critica abertura de capital da empresa

Wanderley Paganini disse em evento sobre crise hídrica que companhia não deveria ter vendido ações no mercado financeiro, prática iniciada em 2002 nas Bolsas de São Paulo e Nova York

Fabio Leite, O Estado de S.Paulo

26 Fevereiro 2015 | 16h43

SÃO PAULO - O superintendente de gestão ambiental da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Wanderley da Silva Paganini, criticou nesta quinta-feira, 26, a abertura de capital feita pela empresa em 2002, medida que foi alvo de ataques de adversários do governador Geraldo Alckmin (PSDB) na eleição ao Palácio dos Bandeirantes no ano passado. 

"No meu ponto de vista, não deveria ter vendido (ações no mercado financeiro). Pode ser até que eu perca meu emprego pelo que estou falando, paciência. Eu prefiro estar em paz com a minha consciência. Porque acho que saneamento tem que ser suprido pelo poder público", disse Paganini durante seminário sobre a crise hídrica na Procuradoria Regional da República da 3ª. Região, na zona sul da capital.

A declaração foi feita em resposta a uma pergunta de um dos participantes do evento. "Por outro lado, uma das alternativas que aconteceu para fazer a venda das ações foi para não vender (a Sabesp) à iniciativa privada. Esse é meu ponto de vista. Acho que ficaria muito pior", completou o superintendente.

A Sabesp negocia ações nas bolsas de São Paulo e Nova York desde 2002, quando abriu capital. Hoje, 50,3% das ações são do governo do Estado, e 49,7% de acionistas no mercado. Nos últimos anos, a companhia pagou 27,9% do lucro líquido obtido com a venda de água e tratamento de esgoto aos investidores.

Nas eleições de 2014, os candidatos Paulo Skaf (PMDB) e Alexandre Padilha (PT), principais adversários de Alckmin, utilizaram o pagamento de lucro a acionistas da Sabesp em Nova York para atacar a gestão tucana durante a crise hídrica. A campanha da presidente Dilma Rousseff (PT) também explorou o fato contra a candidatura do senador tucano Aécio Neves. O governo paulista disse à época que a companhia paga o mínimo previsto em seu estatuto.

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