Superexposição de fatos cruéis pode causar contágio

ANÁLISE: Bruno Paes Manso

Bruno Paes Manso, O Estado de S.Paulo

29 Maio 2013 | 02h05

É difícil tentar explicar a loucura ou a irracionalidade. A crueldade em torno dos casos dos dentistas queimados se aproxima do inexplicável. Mas por que duas ações tão bizarras se repetem em menos de um mês? Se o primeiro caso parece se relacionar a algum tipo de distúrbio sádico do autor do crime, o segundo já parece ser resultado de uma espécie de contágio.

A repetição de escolhas trágicas por imitação já foi abordada por Émile Durkheim na descrição dos casos de sentinelas que se suicidavam na mesma guarita do acampamento militar de Boulogne com tiros na cabeça. O suicídio se estancou depois que queimaram a guarita.

Outros casos, como disparos em escolas americanas e motoristas que dirigem para se matar em estradas na contramão, também são exemplos de ações extremas que se repetem pela sugestão de tragédias anteriores. A superexposição de fatos como esses pode contaminar e influenciar escolhas.

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